quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O porquê da inércia midiática

Como as coisas mudam em certos aspectos e em outros a inércia impera. O Brasil mudou, avançou e quebrou alguns dogmas elitistas, no entanto, as raízes de certas mazelas ainda estão puxando riquezas que o mais profundo subsolo pode oferecer. O oligopólio da mídia superou as ondas progressistas e ainda está respondendo ao espectro conjuntural que transcende mais de um século.

A Casa Grande ainda manda nos grandes jornais brasileiros, na verdade, os jornais são os instrumentos da velha elite que tenta impor seu domínio. O grande caso do momento é o livro “Privataria Tucana”, do jornalista investigativo multipremiado, Amaury Ribeiro Junior.
O livro foi lançado na última sexta-feira, 9, pela Geração Editora e, apesar de não ter sido noticiado pela grande mídia, já é um fenômeno de vendas. Foram vendidos 15 mil exemplares em pouco mais de 24hrs, fazendo com que as livrarias que haviam rejeitado a obra, tivessem de correr atrás do prejuízo.

Um novo lote de 50 mil exemplares irá chegar ainda nesta semana nas livrarias e desde a última terça-feira, 13, vários sites já colocaram o arquivo em PDF da obra disponível. Ainda não se tem uma noção da quantidade de downloads feita até o momento. Mas apesar de ser um acontecimento muito relevante, haja vista que é a maior febre da literatura jornalística dos últimos tempos, a grande imprensa fingiu não conhecer o fato.

O motivo é simples: o alvo da reportagem é o ex-governador de São Paulo, José Serra, cujo partido, o PSDB, é o grande mecenas das famílias que controlam o monopólio da informação. Na obra – que contém 120 páginas com documentos anexos à reportagem -, o jornalista mostra os desvios ocorridos durante o processo de privatizações que o Brasil sofreu durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo a reportagem, o grande orquestrador do processo é José Serra, que na época ocupava o posto de Ministro do Planejamento da administração tucana. Outro tucano, o ex-tesoureiro de Serra e FHC, Ricardo Sérgio, conhecido no tucanato como Mr. Bin, foi o operador de um processo de desvios que tirou dos cofres públicos cerca de U$ 50 bilhões.

O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) entrou com um pedido de CPI, e no mesmo em dia que iniciou o processo, coletou cerca de 100 assinaturas. O necessário para abrir o processo é 177. Deste modo, nos resta apenas aguardar com a sapiência necessária para que um importante capítulo da história brasileira seja desvendado.

A direita irá fazer o jogo dela, desqualificando a crítica, mas sem tocar em qualquer questão. Quando a CPI for iniciada, descobriremos como os entreguistas reduziram o patrimônio nacional por benefício próprio, firmando acordos envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, e abraçando o neoliberalismo na sua faceta mais nefasta.    

sábado, 5 de novembro de 2011

Capitães da Areia: O nosso ‘O Germinal’





Uma obra para se ter, para sempre ler e reler e nunca [nunca] esquecer. Nosso ‘O Germinal’ é Capitães da Areia de Jorge Amado. Uma obra que prende o mais longínquo traço do plasma que cada ser humano carrega consigo. Um romance escrito com a mais qualificada pena marxista da Bahia, que contribuiu ao nosso país de maneira inegável. Abriu os olhos de uma sociedade baiana pré-Carlista e muito excludente.

Um retrato verossímil da vida cruel de crianças que nasceram excluídas e viveram soltas, jogadas à sorte na realidade sádica de uma sociedade hipócrita e desigual, cuja única defesa e chance de vingança era roubar, e por isso, foram demonizadas pelos bons costumes.

Cada menino mantinha um senso heróico macunaímico dentro de si, pois cumpria a missão de sobreviver e se proteger tendo a malandragem como única ferramenta.  A turma que vivia em um Trapiche abandonado era chefiada por Pedro Bala, um galego no meio de garotos negros e pardos que tinha uma perspicácia que o fazia parecer ter nascido pra vier na rua.

Em sua trupe tem seus companheiros Professor, João Grande, Gato, Sem-Pernas e outros meninos que colocavam Salvador de cabeça pra cima. Uma menina adentrou-se no bando e fora para muitos a mãe, a rainha, a irmã – mas para Pedro Bala, fora a noiva, a esposa, o amor eterno. Seu nome é Dora.

A figura de Dora representa o amor materno que todos aqueles meninos – abandonados pelo calor do amor e acolhidos pelo frio da miséria -, careciam e que sua falta os revoltavam cada vez mais. 

O foco narrativo do texto está em terceira pessoa com muitos diálogos espalhados ao longo da narração. Cada menino tem seu desfecho, mas todos estão envoltos a uma abordagem interessante da luta de classes do Brasil. Uma leitura fácil, rápida e intrigante.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os tijolos que o Brasil precisa colocar na sua reforma



* Baseado na série Reformas Democráticas do Portal Vermelho


O Brasil está construindo uma democracia pujante e vibrante, que com certeza é a mais promissora entre os emergentes.  A sociedade tem aumentado a sua consciência política, mas ainda é pouco. O nível de abrangência ainda é longe do ideal, por isso, o país precisa de reformas estruturais e essenciais ao nosso contexto.

São assuntos discutidos desde a re-democratização do país, que ganharam musculatura com a guinada progressista que nos norteia desde 2003. Outrossim, é sabido que nada neste país se deu senão por uma forma heterogênea e complexa, de um modo que nada fluiu sem forçar. Foi muito tempo de escuridão, a luz ainda luta por hegemonia.

Desta forma, tais avanços serão obtidos, exclusivamente, com participação popular, com o terceiro setor fomentando esta participação. As ruas deverão ser o norte e isso nunca pode fugir da pauta. Alguns projetos propondo algumas dessas causas já foram derrotados, mas a base governista nunca foi tão ampla, esse  é o momento para avançar, mas para as mudanças acontecerem de verdade, o processo tem de começar na base.

Reforma urbana
A primeira das reformas é a urbana. Por que fazê-la?  Pelos motivos mais tangíveis do nosso cotidiano, pois o conceito de cidade dos séculos passados está em total fase de superação, sendo que médias e grandes cidades do nosso país enfrentam colapsos em diversas áreas. 

No Brasil, poucas cidades foram planejadas e, infelizmente, ferramentas como o Plano Diretor e o Estudo de Impacto de Vizinhança não são aplicadas como deveriam, sendo esmagadas pela especulação imobiliária, mas não é só isso; o fato de o país estar passando por um processo de ascensão econômica - fez com que a frota de carros aumentasse, aliado a qualidade ruim do serviço de transporte urbano oferecido pelas cidades, a mobilidade – independente do modal de transporte -, virou um paradigma de superação nas cidades brasileiras.
O problema da habitação surgiu pela forma como foi conduzido o êxodo rural que o país passou no Estado Novo, num momento em se abriu para a industrialização.

Em tempos atuais, e pelas últimas seis décadas, o mercado imobiliário foi excludente, isolando as classes menos abastadas em subúrbios, periferias e favelas, algumas vezes deixando-as ilhadas do restante da cidade, como se estivessem em outro plano.

Precisamos de cidades mais humanas, não no abstrato, mas no real – cidades que tenham participação popular nas principais decisões, que cresça de maneira sustentável e que não exclua nenhum cidadão. Uma cidade parece pequena comparada ao nosso país, mas são nas cidades que se começam as transformações que tanto queremos.

Por isso, os munícipes de todas as cidades do país devem participar das decisões, e lógico, eleger políticos comprometidos com as principais demandas das suas respectivas cidades.

Reforma educacional
Dizer que a educação é a solução de muitos dos nossos problemas é clichê e ouvir que estamos muito aquém do ideal é trivial. Muitos pensadores do Brasil colocaram a educação com o grande divisor de águas de nossa história, como o baluarte da efetivação da nossa independência. Trata-se de um tema alvo de muitas críticas, mas cheio de análises anacrônicas.

O atual panorama da educação brasileira é de avanços, cujo principal deles é a conscientização das principais carências, pois há dez anos era comum ver filhos de trabalhadores fora da universidade, hoje existe uma lógica que contrapõe a esta antiga e infeliz lógica, mas ainda é pouco.   Cerca de seis milhões de jovens brasileiros estão na universidade, uma cifra que representa menos de 15% do contingente.

Programas como o PROUNI, FIES, REUNI e outros colaboraram para este número, mas ainda existe muito por fazer.  Deve-se regulamentar o ensino privado para que este atenda aos mesmos padrões de qualidade do ensino superior público, assim como aumentar drasticamente o número de vagas em universidades públicas. Também é necessário pensar no conceito de permanência, pois muitos alunos não conseguem permanecer pelo tempo total de curso na universidade e acabam não se formando.

No ensino básico existe um processo de sucateamento que deve ser fortemente combatido, colocando a democracia na ordem do dia em todas as escolas, fazendo com que a comunidade (em que cada escola está inserida) participe do dia-a-dia das mesmas. A valorização do professor é vital, dando liberdade de criação e provendo um salário digno para este profissional tão estratégico para o nosso país.

O ensino no Brasil está saindo da lógica racional cartesiana para um processo pedagógico muito mais humanístico, mas tal transformação ainda atinge apenas poucos setores do sistema educacional. Trata-se de um processo essencial para o avanço que tanto queremos e que foi tão bem pensada por homens como Darcy Ribeiro, Anysio Teixeira, Paulo Freire e outros.

As hastes do movimento estudantil e dos sindicatos da classe docente seguram bandeiras que clamam por maiores investimentos nesta área. A pauta da maioria dos movimentos sociais ligados à educação solicita que o novo Plano Nacional de Educação garanta 10% do PIB investidos na área, assim como 50% do fundo social do pré-sal. Ou seja, mudanças estruturais e o aumento nos investimentos são essenciais para o avanço.

Reforma da mídia
Para alcançar o estado pleno da democracia, a mesma tem de alcançar todos os segmentos e níveis de determinada sociedade. Em nosso país, temos algumas áreas ainda regidas por uma classe privilegiada que se nega abdicar da supremacia no poder e admitir que a “verdadeira” democracia chegue aos seus grotões.

Um assunto em que ainda estamos muito atrasados é a comunicação, principalmente no que tange a sua regulamentação. Isso se deve ao fato do Brasil ainda não ter sua estrutura legal de regras de convivência, atuação e acesso neste terreno. Países europeus, os Estados Unidos e recentemente a Argentina já têm algo do tipo.

Trata-se de um adereço comum em países desenvolvidos, de uma conquista necessária para a consolidação da democracia. Hoje no Brasil, dez famílias detêm o monopólio da informação, beneficiando-se do patrimônio público para exercer o poder, pois um canal de televisão ou uma estação de radiodifusão têm de usar a estrutura de fibra ótica e outros tipos de tecnologia, que o estado é o proprietário, para poderem transmitir seu conteúdo.

Ademais, muitos não têm (ainda) muito senso de responsabilidade pelo conteúdo divulgado, pois diversas figuras já foram aniquiladas por barrigadas e planos maquiavélicos, vide o exemplo clássico da barrigada sobre a Escola de Base. A regulamentação deverá proibir a chamada propriedade cruzada, onde dono de certo conglomerado midiático detém diversos moldais de comunicação, como jornal, rádio e televisão ao mesmo tempo, por exemplo, impossibilitando assim o monopólio sobre a informação, pois informar é ter nas próprias mãos uma arma fatal que é o consciente coletivo e não se pode deixar ninguém obter poderes absolutos neste campo. É um risco à liberdade, nem o estado pode controlar o pensamento neste nível, quanto mais uma família.  

Reforma tributária
Por que é necessário reformar o sistema tributário brasileiro? Muitos analistas com espaço na grande mídia respondem tal pergunta alegando que a alta carga burocrática atrapalha investidores e causa lentidão ao progresso do país, o que não é mentira. De fato, o excesso de nomenclaturas e a complexidade no processo brasileiro causaram morosidade e ainda causam em alguns investimentos vindos de fora e em alguns internos, mas não é só isso.

Em 2008, o governo do ex-presidente Lula enviou ao congresso a PEC 233, que aplicava mudanças estruturais no processo tributário. O texto simplifica o sistema tributário federal, criando o imposto sobre o valor adicionado federal (IVA-F), que unificará as contribuições sociais: Cofins, Pis e Cide-combustível; extingue e incorpora a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) ao imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ); estabelece mecanismos para repartição da receita tributária; institui um novo ICMS que passará a ter uma legislação única, com alíquotas uniformes, e será cobrado no estado de destino do produto; desonera a folha de pagamento das empresas, acaba com a contribuição do salário-educação e parte da contribuição patronal para a Previdência Social. Mas por falta de unidade na própria base governista, acabou não sendo aprovada.

Mas precisamos de mudanças conceituais, além das estruturais, zerando os impostos sobre o consumo e aumentando os impostos sobre o lucro, regulamentando o sistema financeiro, implantando taxas e incentivando o capital produtivo. No atual processo, o trabalhador brasileiro trabalha somente para comer, devido às altas taxas cobradas no consumo.

Em 2010, o governo arrecadou R$ 1,29 trilhão, o que R$ 7 mil, em média, por contribuinte, porém, nem tudo foi investido em benefícios à população, mas boa parte foi abocanhada pelos juros, levando mais lucros aos bancos. Os trabalhadores já começam pagando no pagamento que recebem nas indústrias, com os descontos prescritos na folha de pagamento.

O imposto de renda só tem três alíquotas, que são altas, começa com 15 e termina com 27 no percentual. Esta lógica injusta deve ser invertida, com quem tem mais pagando mais e quem tem menos pagando menos, pois hoje quem mais paga são os trabalhadores. O governo Dilma se comprometeu em enviar uma proposta ao congresso.

Reforma Agrária
Trata-se de uma pauta de muitas décadas em nosso país, algo que Celso Furtado defendeu dizendo que as terras brasileiras foram exploradas pela chamada "empresa agrícola-comercial", consequência da expansão comercial européia. A pecuária apareceu pela demanda de carne e animais de tração e carga tanto da empresa agro-mercantil quando da posterior exploração mineira e ao contrário das plantações, os produtos destinavam-se à subsistência e ao consumo interno, deste modo, criou-se uma cultura de grandes barões do agronegócio.

O campo ainda carrega traços do Brasil antigo, do Brasil escravagista e com uma desigualdade muito maior do que hoje, com uma concentração de terra absurda, com 7 milhões de famílias sem acesso a terra. A Reforma agrária é um direito assegurado pela Constituição Brasileira e até hoje não foi feita na sua essência.

Desde 1988 alguns (pequenos) avanços ocorreram no Governo FHC. No Governo Lula, houve um grande avanço quanto ao crédito, tanto que a agricultura familiar se fortaleceu, alguns assentamentos, porém, não houve uma Reforma Agrária de fato. Para que isso ocorra é necessário que um processo de varredura seja instalado no Brasil, mapeando todas as propriedades improdutivas (incluindo as estatais) e que seja deflagrada a distribuição massiva de terra, de forma intransigente, seguindo a carta magna do país.

Reforma política
É o assunto do momento. Quando o ex-presidente Lula deixou o poder, prometeu ajudar a colocá-la na Ordem do Dia do congresso e o fez. Neste sentido, o Deputado Henrique Fontana (PT-RS) é o relator. Como em qualquer embate, existem aqueles que querem avanços e aqueles que querem confundir a população para conseguir seus interesses.

Deste modo, o bloco de esquerda do país defende voto em lista e financiamento público de campanha, em suma, dentre outros pontos, já o bloco de direita defende o voto distrital e o financiamento privado de campanha. Os motivos são claros, mas cada um com as suas causas.

De qualquer forma, o país precisa melhorar seu processo político para aprofundar as conquistas democráticas, fortalecendo a nossa jovem democracia, reduzindo as chances de corrupção e aumentando a participação popular,  seguindo o caminho ideal.

domingo, 11 de setembro de 2011

Uma reportagem maldita: mais um corte causado pela lamina de Plínio Marcos

Plínio Marcos abusa da lamina afiada de sua navalha ao escrever, deixa a moral da velha sociedade totalmente estripada e consegue fazer com que o sangue da mesma se finde morosamente, gotejando, tornando os calafrios suscetíveis a todos.

A hemorragia é a sentença impiedosa, não há sobreviventes. Se a justiça é cega ou vendada, Plínio Marcos é a lamina que corta a venda e a faz enxergar que não se pode julgar sem ver o que está julgando, não se pode entender sem olhar nos olhos do verdugo.

Uma reportagem maldita, a história do menino Querô, é um retrato verossímil de tantas vítimas que a miséria já fez em nosso país. Do dia em que nasceu, o menino escolhido por Plínio Marcos para ser seu personagem principal estava “fudido”, como muitas vezes o autor descreveu.

Trata-se de um romance, cujo foco narrativo está em primeira pessoa, sendo uma narração meticulosa de alguns eventos substanciais da vida de Jerônimo da Piedade – vulgo Querô. O enredo aborda sua infância até sua juventude, cheio de peripécias ocorridas no Porto de Santos.


Texto curto e de fácil leitura. A obra recebeu o prêmio de melhor de 1976 da Associação dos Críticos de Arte de São Paulo.

domingo, 28 de agosto de 2011

Mais um tiro na pouca “moral” que ainda existe




Para aprofundar a decadência da ética e fomentar de forma acachapante o descrédito à nossa (ainda) pequena crença na suposta ética da velha mídia, veio-nos como um chute no traseiro em mais um dia do imenso porre de melancolia que o segmento (imprensa) sofre - a tentativa de invasão ao apartamento do ex-ministro e atual membro da direção do PT, José Dirceu, quebrou a fina vidraça que segurava os principais “calunistas” da tropa de choque das oito famílias que se intitulam donas da informação nacional. Agora quebrou o teto de vidro, e eles estão machucados, caídos no chão.
Em um momento cujo grandes conglomerados midiáticos tentam criminalizar aquilo que é tido como avanço básico nos países desenvolvidos, que é o projeto do marco regulatório da mídia – projeto escrito pelo ex-ministro da comunicação social Franklin Martins no Brasil -, em um momento no qual Rupert Murdoch – barão da comunicação mundial -, é desmascarado na Inglaterra por práticas ilícitas na apuração das reportagens dos veículos do seu conglomerado midiático, período de avanços democráticos claros quanto à comunicação na Argentina e a criação de outros meios, principalmente as redes sociais, que proporcionam a todos os usuários a oportunidade de “formar opinião”, que desafia a linha editorial padrão dos grandes conglomerados e dos governos conservadores (leiam-se opressores).
O veículo que financiou o repórter invasor está em um momento de crise ética, sendo, com certeza, a revista semanal que mais enfrenta rejeição no meio acadêmico e na parcela da sociedade que tem formação superior. Mas não abandona a sua trincheira, faz o que pode para garantir a parcela do dinheiro público que recebe de governo tucano.
Desta vez abusou da fama de “antiética” e se pôs de uma vez por todas no pavilhão dos “faço mesmo e daí?”, envergonhando jornalistas como Mino Carta – que participou da fundação da revista -, e agora a vê a serviço da truculência direitista. Na verdade Mino se distanciou há muito tempo do projeto conduzido pela “Famiglia Civita”
O exímio “calunista” Reinaldo Azevedo já se posicionou colocando a revista como vítima de um processo sujo e corrupto, utilizando da velha retórica rasa e moralista dos neoliberais brasileiros. Vamos aguardar o que irá ocorrer, o fato é que a revista vai sofrer processo via PGR, apertem os cintos que dias interessantes estão por vir.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

As bandeiras da humanidade e suas convergências para conquistar para todos


As hastes da humanidade seguram muitas bandeiras, bandeiras dignas e essenciais para que possa alcançar o sentido mais pleno de sua existência: viver em harmonia com o planeta terra, com todos os homens e mulheres tendo os direitos da respeitosa estadia. Dos homens comuns aos responsáveis em tomar decisões determinantes para o destino da humanidade, o sentimento deve ser o mesmo: fazer pelo todo. Certa vez, o mexicano César Chávez disse: "Não podemos buscar realização para nós mesmos e esquecer-se do progresso e prosperidade para nossa comunidade. Nossas ambições precisam ser amplas o suficiente para incluir as aspirações e necessidades dos outros, pelo bem deles e pelo nosso próprio. "
Os seres humanos que mais contribuem para o todo são aqueles que possuem o adereço amplitude, que faz o espírito se tornar largo, que abrange sentimentos fraternais aos seus iguais na mesma proporção daqueles que têm por si. Em sua Autopsicografia, o poeta português Fernando Pessoa disse que os que lêem os que escrevem na dor lida sentem bem, ou seja: o poeta desperta no homem a amplitude de espírito que cada um tem, mas que por algumas vezes está escondida.
Na verdade esta é a função da arte, despertar o que há de mais nobre e mais sórdido no homem, dependendo da intenção do artista – em seu mais alto potencial. As feministas devem lutar pela igualdade, sem esquecer que os homens também são atores fundamentais para que esta exista. Os negros devem exigir o fim do preconceito, entre todos, sem alimentar-se da raiva, pois o remorso só trará dificuldades no avanço que tanto precisam.
Os trabalhadores devem entender que todos têm de estar juntos para que a conquista venha de um modo rápido, sem a chance do retrocesso. Os homossexuais devem exigir respeito, mas entendendo que o processo de conscientização será árduo, e a luta deve ser feita em todos os dias.
Os ambientalistas devem brigar pela preservação do planeta, mas sem se esquecer que um terço da humanidade ainda está na miséria e que muitos ainda não têm o que comer. São muitas bandeiras, nos mais diversos segmentos, tendo na arte seu maior fomento. Do samba ao blues, a arte consegue unir os homens e mulheres de todas as classes, cores e raças.
Todas as bandeiras levam ao mesmo caminho: a igualdade entre os homens. Algumas de maneira explícita, outras nem tanto. Mas quando todos puderem dar as mãos sem qualquer medo, o resultado esperado já estará obtido, e aí a humanidade encontrará caminhos menos estreitos para as tantas lutas que ostenta.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Grande Sertão Veredas: uma obra imperdível



Somos antropófagos por natureza, como disse Oswald de Andrade, e podemos, com este atributo, produzir obras ímpares que ostentam peculiaridades de todos e ao mesmo tempo somente nossas. Uma loucura só entendida em nosso continente, pois nem todos têm o “swing” que temos.
A literatura é o terreno mais fértil para que idéias cozinhadas em culturas diversas aflorem para uma cultura específica, incorporando todos os adereços temáticos a esta, parecendo que sempre pertenceram àquele determinado contexto.
Neste sentido, muitos elegeram a celebre obra “Grande Sertão Veredas’ do escritor mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) como a mais completa da literatura brasileira, tal afirmação goza da minha concordância, pois é a obra que usa das principais ferramentas literárias para descrever o cotidiano da “jagunçagem” da zona da mata, ou Vale do Jequitinhonha e suas veredas das Gerais, como muitas vezes é citado na obra.
João Guimarães Rosa era um poliglota fantástico, e um exímio conhecedor da língua portuguesa. Com toda a sua habilidade de romancista e frasista – criou uma linguagem única para Grande Sertão Veredas, usando palavras que ao ler parecem tão usuais, mas só estão nas linhas da obra do escritor mineiro.
O enredo aborda um romance supostamente homo afetivo, entre Riobaldo e Diadorim - que se chamava Reinaldo – ou Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins. O foco narrativo é em primeira pessoa, cujo Riobaldo ao longo da meticulosa descrição da qual fazia de sua vida de jagunço a um conhecido, mostrava sua aversão aos sentimentos diferentes que tinha pelo melhor amigo.
O clímax está reservado para o final, pois ocorrem revelações que dão sentido aos mais diversos sentimentos descritos por Riobaldo. A leitura é fantástica, fluindo naturalmente, porém, com um leve cansaço no início, pois a descrição acaba se tornando cansativa. Assim que os amigos entram em sua aventura e vida de jagunços, a leitura flui muito bem. 

sábado, 6 de agosto de 2011

Leci Brandão honra o seu passado e traz esperança para o futuro


Nas andanças pelas redes sociais, me deparei com uma chula crítica à deputada Leci Brandão (PCdoB), nesta o sujeito se perguntava o que ela estava fazendo num vídeo em que aparecia com o deputado Pedro Bigardi (PCdoB) falando sobre a realização da copa do mundo no Brasil em 2014, afirmando que a mesma deveria estar em uma roda de samba e não na política.

Conheço o autor da crítica, e sei que o mesmo a fez mais por ignorância do que por maldade embasada, mas mesmo assim não deixou de ser uma crítica preconceituosa. Acredito que ele não saiba do passado de Leci, de sua militância no movimento negro, nas religiões afro-descentes e no movimento de afirmação do samba na cultura nacional.
Com certeza, o mesmo não tem acompanhado a atuação de Leci na Assembléia Legislativa (ALESP) em defesa das minorias, apresentando projetos e afirmando a presença da mulher em um contexto ainda muito machista. Quando eleita, Leci prometeu coerência. Nisto já ficou claro como serão os quatro anos da primeira estadia dela na ALESP, honrando o seu passado e firmando as suas antigas bandeiras.
A voz do crítico serviu de impulso para as verdadeiras vozes simpáticas à truculência machista e racista, mas não têm relevância, pois os mais de 80 mil votos que foram recebidos por Leci são a prova de que o povo a conhece, sabe de sua história como mulher, sambista, negra e principalmente como brasileira. Viva Leci Brandão!

sábado, 9 de julho de 2011

2 x 2: Eu já havia visto este filme



Nada como esperar o amanhã. É assim que começo minha análise quanto ao desempenho da seleção brasileira dirigida por Mano Menezes na Copa América, onde o técnico gaúcho fez tudo o que “todos” queriam, pois convocou a dupla dinâmica santista e a jóia são-paulina.
Assistindo o jogo, percebi o quão inconcebível é que nomes como Hernanes e Kleber estejam fora do time que está disputando a competição na Argentina. Por mais que o Fred tenha feito o gol de empate, e o Ramirez tenha jogado relativamente bem, quem acredita que os dois superam Hernanes e Kleber? Mas se trata da opinião do técnico, e quem convoca é ele.
A crônica esportiva é normalmente muito criticada pelos jogadores, técnicos e cartolas de futebol, pelo sensacionalismo que pratica em momentos de derrota, o que eles esquecem é que é o mesmo sensacionalismo que traz a glória nos momentos de vitória.
Não estou defendendo a prática sensacionalista, só estou dizendo que o futebol, sendo um esporte que atinge o senso comum – necessita deste recurso midiático, ou então, atingirá as mesmas proporções que o basquete e o voleibol atingem, por exemplo.

Mano esqueceu de respeitar seus “hermanos”

A grande imagem do jogo foi o técnico Mano Menezes trocando provocações com a torcida. Trata-se de um papel lamentável, pois mostrou sua arrogância e inflexibilidade, na postura de querer que todos aceitem suas concepções de futebol e que não vai ouvir os questionamentos de ninguém. O fato é que o seu time está sem padrão de jogo, e até agora não mostrou possibilidades de reação, pois não tem organização tática.

O jogo

A seleção brasileira apresentou um futebol apático, em uma estratégia que minou até seus maiores talentos e expôs suas maiores deficiências. Neymar e a dupla de aves Pato e Ganso não mostraram o futebol que todos esperavam, onde o primeiro foi muito abaixo do esperado. O lateral Daniel Alves desempenhou um papel pífio, onde não apoiou e foi um desastre na marcação. O esquema de jogo do técnico Mano Menezes é o mesmo utilizado nos tempos de Corinthians, com excesso de toques de bola e baixa objetividade.
A defesa continua sólida, com exceção dos laterais, pois o lateral-esquerdo André Santos também foi mal na cobertura.
Em suma, o Brasil dependeu muito das jogadas pelo meio, e enquanto o meia Paulo Henrique Ganso não esteve bem, o time também não esteve.

Erro de estratégia

O planejamento do técnico Mano Menezes fez com que o Brasil ficasse refém de três jogadores, sendo que poderia ter mais opções, pois se em 70 tínhamos Rivelino e Tostão, nas suas devidas proporções, temos que ter um reforço na armação em caso de baixa produtividade de Paulo Henrique Ganso, e sinceramente não acredito que o Jadson seja o nome correto. Minha sugestão é: Hernanes.

domingo, 26 de junho de 2011

Sendo, ainda, um dos melhores filmes sobre o tema, Reds é uma aula de jornalismo e história



Escrever sobre filmes consagrados é uma tarefa ingrata, pois, provavelmente, existem diversas análises em formas de artigos, monografias e em outros modos sobre os mesmos. Sendo assim, e não obstante por isso, acredito que a solução é escrever profundamente sobre a impressão que tive da obra.
O filme analisado neste artigo é o clássico “Reds”, lançado em 1981, do diretor, ator e roteirista Warren Beatty.  O filme aborda a cobertura jornalística e participação do americano John Reed, autor da obra “Os dez dias que abalaram o mundo”, na Revolução Russa de 1917, além da forte participação da sua companheira Louise Bryant. O roteiro aborda fatos históricos temperados pelas peripécias e desencontros do casal, além de entrevistas gravadas com pessoas que conviveram, diretamente e indiretamente, com o casal Reed, gravadas desde 1970 por Beatty.
O enredo começa no início do século XX, período de atuação do protagonista, e tem como gancho: o início da Primeira Guerra Mundial. Tratava-se de um período de efervescência política na Europa e nos Estados Unidos, que teve na Revolução Russa, em 1917, o marco de divisão do mundo em dois blocos: os comunistas e os capitalistas.
Reed era ator e observador dos confrontos políticos dentro dos Estados Unidos, e, em 1917, foi convidado para cobrir a Revolução Bolchevique na Rússia. Embarcou acompanhado da esposa e de amigos, acompanhando de perto, pelos bastidores, a queda de Kerensky e os mencheviques, e a ascensão de Lênin e os bolcheviques.
Após a vitória dos bolcheviques, John e Louise voltaram para os Estados Unidos. A partir deste momento, John começou liderar uma ala do Partido Comunista Americano, comandando uma diáspora. Voltou à Rússia para pedir aprovação para formação de um novo partido, recebeu resposta negativa e teve de ficar, pois assumiu uma função no Partido Bolchevique.
O jornalista revolucionário começou enfrentar as contradições da revolução, enfrentando discussões com sua amiga e anarquista, Emma Goldman, começou sofrer pela ausência de sua amada, que ficara nos Estados Unidos. Os conflitos psicológicos abordados  no roteiro são aqueles enfrentados pelos militantes de causas complexas, que têm que renunciar a própria vida pela revolução, e acabam sofrendo pela falta de suas vidas passadas. No caso de John Reed, a distante Rússia foi ficando cada vez mais fria.
Trata-se de um grande recorte da visão de alguém que não só foi observador da revolução, como também foi um grande ator, sendo muito elogiado pelo líder  revolucionário Vladimir Lenine.        

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O passado de Gleisi nos anima para o futuro do Brasil

                  O que Palocci é para esquerda


Não é que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) nos ajudou? Não por generosidade, pois sabemos que o time do Tio Rei não é provido de tal benesse da espécie humana, mas por sua guinada golpista. Refiro-me à queda do ex-ministro Antonio Palocci da Casa Civil, e a ascensão da senadora Gleisi Hoffman ao cargo.
Lógico que devemos entender a real intenção da velha mídia no caso Palocci (versão 2011), que nada mais era que “desestabilizar o governo da Presidenta Dilma”, porém, acredito que no campo progressista a grande maioria entende que Palocci é um dos piores quadros do PT.
Não falo de sua habilidade política, pois esta é inegável, haja vista que após o caso Francenildo, o “Tony” - como diz PHA -, conseguiu voltar ao poder, em um posto muito cobiçado, que no modo PT de governar ganhou status de segunda força, perdendo apenas para o presidente. O que incomoda em Palocci é sua ortodoxia macroeconômica e afinidade com o campo conservador de nosso país, o perfil do ex-ministro o rotulou de “direitista vestido de esquerdista”.
Perder Palocci e ganhar Gleisi é uma benesse – pelo menos na teoria -, pois a paranaense mostrou seu modo de atuar na gestão do ex-governador do Mato Grosso do Sul, o ex-bancário José Orcírio Miranda, o Zeca do PT, sendo responsável por re-organizar a máquina pública e fazendo isto muito bem
Na matéria de ontem no Valor Econômico, o jornalista Cristian Klein contou um pouco da história da nova ministra, principalmente quando assumiu a função de Secretária Extraordinária de Reestruturação Administrativa, onde demitiu 1,5 mil funcionários em cargos de comissão e reduziu o número de secretarias, contribuindo também para a otimização da arrecadação do estado, que quando Gleisi esteve no governo dobrou.
Isto mostra um pouco de sua competência, já que assume a função buscando o mesmo perfil da Presidenta enquanto esteve na pasta, ambas são reconhecidas como boas administradoras. Mas não podemos nos encantar com a tecnocracia, o que mais me chama atenção na ministra é o seu passado, pois a mesma foi tesoureira da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), e para todos aqueles que militam ou militaram no movimento estudantil, é de notório saber a generosidade que habita em todos secundaristas engajados.
Seu passado fez com que Gleisi tivesse uma grande sensibilidade social, fato este que indica uma gestão pragmática e de sensibilidade social, principais méritos de Dilma Vana Roussef enquanto ministra. Somente o tempo mostrará sua competência, mas seu passado é mais animador para o futuro do nosso país em detrimento ao passado, presente e futuro de Antonio Palocci.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Análise conjuntural da blogosfera progressista


                           A blogosfera progressista tem de ser progressista

Se estivéssemos em uma guerra da comunicação (e acredito que estamos), com certeza a ala vermelha estaria encabeçada pelos blogueiros progressistas, que se organizaram e hoje é o principal reduto daqueles que apontam um caminho de democratização da comunicação mais tangível, mostrando que a internet é a terra dos “jedis” na luta contra os “siths” da velha mídia.
O ponto de análise deste artigo não é a blogosfera, mas sim o conceito do termo “progressista”, o que é sê-lo? Lembremos que o partido de Paulo Salim Maluf (o filhotinho da ditadura) chama-se Partido Progressista (PP). Um forasteiro em terras tupiniquins perguntaria se os blogueiros progressistas são militantes do PP que usam um blogue como ferramenta para o avanço. Para aqueles que conhecem o espectro político brasileiro, isto é uma blasfêmia. Mas se trata de uma das contradições do nosso cenário político.
Na filosofia, o pensamento progressista está ligado ao pensamento positivista, e o positivismo descarta qualquer idéia não fundamentada cientificamente, ou seja: ser progressista é ser fundamentado. Para derrubar o conservadorismo é necessário derrubar a estrutura do arcabouço que sustenta as idéias defendidas pela elite que não quer que ocorram mudanças que possam abalar seu status quo. Deste modo, é esperada de qualquer progressista, a necessária fundamentação na defesa de suas teses.
O materialismo dialético de Marx postula que qualquer corrente de pensamento corresponde às leis da realidade. A matéria e seu conteúdo histórico ditam a dialética marxista: a realidade é contraditória com o pensamento dialético. "A dialética é ciência que mostra como as contradições podem ser concretamente idênticas, como passam uma na outra, mostrando também porque a razão não deve tomar essas contradições como coisas mortas, petrificadas, mas como coisas vivas, móveis, lutando uma contra a outra em e através de sua luta." (Henri Lefebvre, Lógica formal/ Lógica dialética, trad. Carlos N. Coutinho, 1979, p. 192)
Analisar qualquer fenômeno através do materialismo dialético é esmiuçar em todos os aspectos, os mesológicos e históricos, pois o anacronismo é o erro mais grave em qualquer análise.
Deste modo, é compreensível que o blogueiro progressista é aquele que está ao lado das correntes políticas progressistas, e que procura ter embasamento para defender suas teses. Analisar um fato pelo viés progressista é estripá-lo.
No entanto, alguns blogueiros progressistas, que administram alguns dos blogs mais visitados, não se portam deste modo. Analisando pelo governo Dilma, em quatro discussões determinantes, como: a discussão do ajuste do salário mínimo, a festa de 90 anos do Jornal Folha de São Paulo, recentes decisões de política externa e o debate em torno do código florestal, foi possível perceber análises rasas de alguns membros da blogosfera.
Poucos prestaram atenção nos reforços de figuras do conservadorismo brasileiro em torno de suas análises nestes temas, sendo estas também conservadoras, para elucidar vou destacar a presença da presidenta na festa do jornal paulista, onde alguns quiseram condená-la por se portar de forma institucional em um evento onde ela deveria se portar daquela forma, pois independente de seu espectro político, Dilma Vana Roussef é presidente de 194 milhões de brasileiros.
Trabalhar para ter menos contendas com a imprensa – diferentemente do governo Lula -, é o avanço necessário, fazer com que esta perca seu poder de influência também o é. Lula tinha um acerto de contas a fazer com os grandes conglomerados midiáticos, Dilma não, ademais a primeira mulher presidente não goza do carisma do primeiro operário presidente.
Outro fato que deve ser analisado é a discussão feita em torno do relatório do Deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) sobre a mudança do Código Florestal. Poucos mostraram conhecer a história da luta da esquerda neste país, pois somente alguns – como este que vos escreve -, analisaram a partir da biografia do autor, sabendo que o mesmo representa o pensamento genuinamente progressista.
Na maior parte das análises feitas pela blogosfera sobre o relatório, não vi citações do texto, onde muitos sequer leram o relatório, e colocaram a organização mundial Greenpeace como baluarte da luta pela preservação do mundo, esquecendo que a mesma não faz campanhas semelhantes em países ricos.
A defesa do relator é que hoje os pequenos produtores rurais são miseráveis, lembrando que a CONTAG (Conferência dos Trabalhadores da Agricultura) apoiou a mudança do código, e vi poucos contrapontos fundamentados a este fato. Aldo não defendeu o desmatamento, em minha opinião, o mesmo defendeu a adequação de uma lei feita em 1965 para os dias atuais, e após quase dois anos de trabalho, e mais de 100 audiências públicas, entregou um texto que no mínimo traz a necessária reflexão sobre a conjuntura da agricultura e do código florestal atual.
Hoje, para alguns progressistas do Brasil, ser ruralista é ser explorador, porém, pelo verbete do filólogo Evanildo Bechara, ruralista nada mais é que aquele que é produtor rural ou defende os interesses do ruralismo, não fornecendo informações sobre a proporção de terra que um ruralista deve ter, sendo assim: os pequenos produtores são ruralistas, então, o ruralismo não é reduto dos grandes produtores somente. Entendo que alguns possam discordar de certos conceitos defendidos pelo relator, mas com embasamento tudo fica mais claro.
 Em suma, as análises rasas de alguns blogueiros progressistas os tornam não progressistas, e sim somente blogueiros. Neste ano, diversos encontros estaduais já aconteceram e muitos outros vão acontecer, assim como II Encontro Nacional, e acredito que é o momento de fazer a autocrítica, pois para enfrentar os grandes conglomerados se faz necessária a qualidade em análises profundas, próximas da realidade do nosso povo. Somente assim a blogosfera conseguirá enfraquecer a grande mídia, dando musculatura para a luta pela democratização da informação.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Crítica da obra Macunaíma

“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos", disse um dos meus “reaças” favoritos, Nelson Rodrigues. Leio muitos livros, mas também releio muitas obras, tudo depende do assunto estudado no momento. Nada muito consciente, muitas vezes acontece por instinto, onde a mente sugere a obra. Em tempos recentes, decidi reler o clássico Macunaíma, lançado em 1928, do autor modernista paulista Mário de Andrade.


Às margens do rio Uraricoeira, na Floresta Amazônica, nasceu Macunaíma, o herói de nossa gente. O Imperador do Mato é a síntese do espírito genuinamente brasileiro, sendo egoísta, safado, preguiçoso, inteligente – capaz de exercer persuasão a todos que estão a sua volta, era descrito pelo autor como portador de uma ingenuidade oriunda das terras tupiniquins.
Mário de Andrade afirmou que não quis criar um documento para consulta sobre o folclore brasileiro, pois misturou diversos “causos” de nossa gente, e na obra empregou uma linguagem simples, sonorizada, portadora de uma cadência musical, escrevendo uma rapsódia popular, não um livro de história.
Escrita em seis dias, em Araraquara, a obra foi bem aceita por parte da crítica, sendo que alguns outros setores questionavam a autenticidade do herói, acusando que se tratava de uma imitação da obra do alemão Koch-Grunberg, fato este, assumido pelo autor, que, como todo bom “antropofagista”, engoliu muitas linhas de muitas obras para vomitar o herói.
Fazendo releituras de crendices de quase todos os cantos do Brasil, a obra coloca o índio, brasileiro nativo, como representante da cultura de nossa terra, que encontra em seu adversário, o gigante Piaimã, de nome Venceslau Pietro Pietra, seu antagônico, o estrangeiro – comedor de gente.
A batalha entre o brasileiro genuíno e o estrangeiro é o grande enfoque desta rapsódia, que somente no final do texto tem seu desdobramento.
Com certeza é uma das maiores obras de nossa literatura, que proporciona uma leitura muito rápida, pois como já dito, possuí uma cadência musical. Lançada seis anos depois da Semana de Arte Moderna de São Paulo, a obra expressa todo o espírito modernista que havia dominado certos autores, principalmente os paulistas, especialmente os amigos Osvald e Mário de Andrade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Higienópolis: A nova batalha

Revolução francesa: a rebelião dos burgueses

Ainda existe luta de classes?
Os inimigos do socialismo científico marxista afirmam que Marx errou em colocar a economia como norte para explicar todas as discrepâncias da humanidade, sugerindo que não existe mais luta de classes no século XXI. O liberalismo de Adam Smith simplificou todo o processo, colocando o mercado como única solução para a humanidade. A ideologia marxista para estes, como o genial Vargas Llosa, morreu, quando caiu o muro de Berlim.
O oportunismo científico liberal ganhou musculatura e virou neoliberal, e tendo em Washington sua base, dissemina o fim da eficácia da análise marxista acabando com o conceito de luta de classes, exaltando aquilo que Marx denominou de “alienação”, limitando o proletariado no que se refere a tomar consciência naquilo que precisa fazer em prol da sua revolução.
 Todos os marxistas sabem que o discurso dos adeptos do Consenso de Washington é pura falácia, pois basta enxergar a penumbra para ver o quão forte é a luta de classes, que a cada dia se desdobra em um novo episódio.

O desdobramento do dia
A mais nova batalha da “Guerra de Classes” é o congelamento do projeto da estação de metrô que seria inaugurada na Rua Angélica, no bairro Higienópolis, em São Paulo. Para quem não conhece São Paulo, a Avenida Angélica é uma das mais tradicionais da cidade e corta boa parte do centro da cidade, ligando-o à região da Avenida Paulista.
Dentre os bairros que fazem margem à Avenida Angélica, está o elitista bairro de Higienópolis - reduto de muitos políticos e artistas-, tendo como ponto de encontro: o entojado Shopping Higienópolis.
Todos que andam em São Paulo sabem da necessidade do metrô alcançar aquela região. Sabendo do intento da prefeitura – que alguns anos atrás anunciou a necessidade de estabelecer uma estação naquele ponto -, a população “organizada” de Higienópolis organizou um abaixo-assinado, pedindo que não fosse instalada uma estação de metrô na nobre região, pois de acordo com uma moradora, traria pessoas “diferenciadas” para o bairro. Como se o aprthaid social-demográfico da cidade fosse constituído em lei.
Em repúdio a tal posição, os progressistas da cidade do igarapé do Tietê, vão organizar um churrasquinho em frente ao requintado shopping, para deixar claro que o eldorado de muitos nada mais é que mais um bairro da cidade e que, como todos, pertence aos paulistanos. O ato representará o repúdio à posição dos nobres moradores e servirá para pressionar a prefeitura para que a mesma retome o projeto de instalação da estação.
Não se trata de luta de classes? Caso não, o que é? A burguesia exige exclusividade, já as classes menos favorecidas exigem respeito aos seus direitos, uma parte luta por hegemonia e a outra por universalização. De que lado você está?  Eu vou ao churrasquinho.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Código Florestal: Debate oportunista ou propositivo?



A contento de alguns e tristeza de outros, os fatos mostram que muito tempo se teve para a discussão do novo código florestal, o que não ilegítima as reivindicações de alterações quanto ao atual texto, tudo é questão de interpretação, seja para defesa ou para crítica.
 O ponto de análise deste artigo não é o mérito do texto do Deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), mas sim o corriqueiro e desagradável oportunismo político, pois tal tema tem sido ambiente muito propício para os adeptos desta causa.
O relator que historicamente esteve na trincheira da bancada progressista na câmara, vê-se em uma situação atípica, pois boa parte dos parlamentares tidos como progressistas, estão dando-lhe as costas, e parte daqueles que sempre o perseguiram, os conservadores, está apoiando-o.
Tal análise proporciona uma rápida conclusão: o relator mudou de lado, e neste caso, aderiu à bancada ruralista, mas para mim trata-se de uma análise tão rasa como foi a refeição oferecida pela raposa à garça em sua tigela, na fábula de Esopo.
Acontece que a causa ambiental é bandeira de ambos os lados da política, ou seja: tanto a esquerda quanto a direita querem estar bem no cenário verde, mas com viés diferenciados, a esquerda com seu pensamento progressista, defende o desenvolvimento sustentável, e a direita tenta sustentar o agronegócio e as fontes de energia sujas pautando-se em temas longínquos, como se o único modo de ofensa às causas ambientas fosse a caça às baleias dos japoneses.   
Aldo Rebelo quis, em seu relatório, ser frio e consciente, e após muitas audiências públicas, apresentou um texto abrindo algumas limitações impostas pela legalização atual, assim como diferenciando os pequenos dos grandes produtores nas infrações e anistiando a questão da retroatividade, adequando-se ao texto da constituição nacional.
Por tais motivos, sua biografia está sendo esquecida por alguns, porém, o relator está dizendo desde quando o debate foi retomado rumo à votação, o relatório está aberto para alterações, pois se trata de uma decisão extremamente importante para o país.
A grande crítica feita deve-se ao fato de um tema que está por quase dois anos em discussão no país, desde agosto de 2009, esteja sendo objeto de reivindicações contundentes e cusparadas de muitos, alegando que não foi debatido no tempo adequado e solicitando mais tempo.
A ex-senadora e candidata Marina Silva, do Partido Verde (PV), tornou-se a porta-voz deste movimento, porém, não esteve presente nas audiências e somente agora, amparada por Organizações Não Governamentais (ONGs) internacionais e nacionais, manifestou-se.
Nos últimos períodos, esteve ocupada com sua agenda pessoal, e agora quer que o debate aguarde o seu metabolismo. Talvez após ter a oportunidade de entender tudo o que foi feito, ela concederá o direito de continuidade e votação. Onde estava a ex-ministra nas quase 100 audiências públicas realizadas?
Setores da mídia dizem que o código florestal não pode mudar - o que é ridículo -, pois o atual código é de 1965, em uma época onde a maioria da população era rural e cinco anos antes do ex-presidente Médici cantar: “90 milhões em ação (...)”, de acordo com o Censo 2010, o país tem atualmente cerca de 191 milhões de habitantes, massivamente concentrados na zona urbana.
Quem discorda que o código deve mudar? Quem discorda que punir pela retroatividade é inconstitucional? Quem discorda que o pequeno produtor deve ser tratado de forma diferenciada? Quem se incomoda quando a Miriam Leitão ecoa o seu discurso? Eu sim. Concordo com tudo proposto? Nem tudo. Mas o próprio relator disse que vai apresentar alterações na votação de amanhã, vamos aguardar.
Gosto de estar ao lado da Kátia Abreu? Não. Porém acredito que colocar a agricultura como maior responsável pelo desmatamento é pura falácia, que se faça a devida leitura e que apresentem melhores propostas. Esqueci, não fizeram. O debate já foi feito na câmara, agora que aguardem o senado. Recomendo apenas que fiquem atentos para não ter de contar com a ajuda da Miriam Leitão.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Viva à revolução!

Vídeos em homenagem a mais nova vitória da revolução socialista na América Latina, devido às reformas aprovadas em plebiscito no Equador.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Análise: Ser Jornalista de Ciro Marcondes Filho

Uma profunda e robusta análise marxista sobre a comunicação com uma meticulosidade histórica digna de um bom jornalista e marxista, a obra Ser Jornalista, lançada em 2009, do sociólogo e jornalista Ciro Marcondes Filho, com certeza não é indicada pela maioria dos cursos de jornalismo do ensino privado.
A obra não é indicada em universidades privadas porque analisa aguçadamente o processo de comunicação no mundo e no Brasil, a luta de classes dentro da comunicação e como o mercado de trabalho influencia a imprensa, como a imprensa porta-se no período da ditadura do capital, e como o emprego é usado pelos jornais-empresas para que o jornalista abdique de sua ideologia.
Em Ser Jornalista, Marcondes Filho acaba com a poética ilusória do jornalismo chamando a imprensa de ferramenta-mor da luta pela hegemonia do pensamento social, trazendo à tona o fato de que a imprensa foi a ferramenta que a burguesia usou para derrubar a aristocracia, e que hoje a atual burguesia usa para sustentar sua hegemonia.
De forma enfática, o texto de Marcondes Filho mostra como a notícia virou mero adereço na imprensa formal, dando à publicidade o espaço principal na estrutura do jornal, hoje o fato é o convite para que o leitor leia a publicidade. Alguns capricham no convite, outros preferem não esconder o foco e colocam a publicidade in loco sem qualquer inibição.
O alemão Karl Kraus (1874-1936) é muito citado no primeiro capítulo por ser o pioneiro na crítica a imprensa fundamentada, o mesmo dizia que o jornalista pode ser comparado à prostituta, pois ao escrever seguindo a linha editorial do jornal está vendendo a consciência que tem.
Kraus dizia que o jornalismo é o oposto da literatura, pois os grandes autores faziam de seus romances verdadeiras extensões de seus espíritos, diferente dos jornalistas que não se apegavam em nenhum valor humano para escrever, apenas o faziam para vender e persuadir. A maior crítica do alemão era quanto à alienação da imprensa - causada por sua falta de ideologia -, pois esta causava à população outra alienação.
A obra não está somente focada na explanação histórica do jornalismo, mas também aborda sobre algumas premissas consideradas essenciais pelo autor para o jornalista, a principal delas refere-se ao texto, pois de acordo com Marcondes Filho – um bom texto depende de uma boa cabeça -, ou seja: para escrever bem tem de ter boas idéias e saber organizá-las.
Na crítica feita ao curso de jornalismo oferecido pelas universidades, principalmente do ensino privado, o autor aborda o foco das instituições, que preferem formar um produto para o mercado a um jornalista que possa desenvolver uma visão crítica e ter fundamentação para analisar o mundo de uma maneira profunda.
Trata-se de uma excelente obra que proporciona uma leitura entusiasmante, porém, devido à meticulosidade utilizada pelo autor, são exigidas uma forte dedicação e maturidade de compreensão textual para a compreensão ideal da mensagem proposta.

domingo, 1 de maio de 2011

1 de Maio: do sangue à ode ao trabalhador


O domingo está acabando, e em muitos cantos da terra já acabou e após belíssimas comemorações, cabe a reflexão sobre o dia dos trabalhadores, não do trabalho – como defende a grande e velha mídia.
Um rápido comentário: a velha mídia utiliza o termo “dia do trabalho” em detrimento ao dia do trabalhador, não por acaso, pois os conglomerados mediáticos defendem também o interesse patronal, pois pertencem às famílias que compõe grandes oligarquias, ademais dependem do dinheiro que a publicidade rende, ou seja: vivemos na ditadura do mercado, onde a exaltação do trabalhador não é interessante.
Quanto ao dia do trabalhador, o cerne de tal data está na greve geral estadunidense de 1886, mais precisamente na cidade de Chicago. Na chamada Revolta de Haymarket, dezenas de trabalhadores foram feridos e mortos pela polícia, em uma manifestação popular que durou quase uma semana.
A greve geral desencadeou diversos motins do proletariado pelo mundo, como a jornada de lutas pela regulamentação da jornada laboriosa de 8 horas diárias na França, encabeçada pela Internacional Socialista. Em 1919, o senado francês aprovou a lei que limitava a jornada de trabalho e adotou, no dia 1 de maio, o dia do trabalhador.
Em 1920, a Rússia também adotou a data, fato que influenciou diversos países. No Brasil, a data foi aderida em 1925, por um decreto do então presidente Artur Bernardes. Apesar de momentos de escuridão, a data está no calendário nacional até hoje.
Em 2011, podemos comemorar a democracia e a constituição brasileira que permite a manifestação dos trabalhadores, as leis trabalhistas e o atual momento do Brasil. Nos últimos tempos, as centrais foram reconhecidas, o salário mínimo ganhou um método de valorização progressiva efetivo, o poder de compra do salário mínimo está em um processo de valorização, diversos programas de regulamentação de trabalhos informais, o combate ao trabalho escravo e as políticas de fomentação da economia garantiram a criação de mais de 15 milhões de vagas.
A pauta do momento é a luta pela redução da jornada de trabalho a 40 horas semanais, aonde as centrais vêm realizando um abaixo-assinado para que o projeto possa ser discutido no congresso federal, com adesão popular, para garantir a conquista.
O dia 1 de maio de 2011 foi um dia de celebrações dos direitos já conquistados e pela pauta deste e do próximo período. Os sindicatos e centrais devem focar em um processo para unificar todos os trabalhadores do país e tentar colocar a luta por hegemonia de lado, para garantir que as lutas dos trabalhadores brasileiros tenham força.
"Trabalhadores do mundo, uni-vos!"  - Karl Marx e Fredrich Engels