segunda-feira, 28 de março de 2011

Um Jogo para não esquecer

O futebol brasileiro tem em sua história datas memoráveis, e com certeza 27/03/2011 vai entrar para a lista dos dias a serem contados para todos aqueles que de alguma forma admiram o esporte do barbante e do couro.
A 16ª rodada do Campeonato Paulista de 2011 nos rendeu o clássico entre Corinthians e São Paulo, o chamado Majestoso, que carregava antes desta partida um tabu, pois o São Paulo Futebol Clube não vencia o Corinthians há mais de 04 anos. Neste momento, o Corinthians ocupava a liderança da tabela com 34 pontos e o São Paulo ocupava a terceira colocação com 31 pontos.
O clássico estava cheio de peculiaridades, e uma das principais se remetia ao fato do goleiro e capitão do São Paulo, Rogério Ceni, que poderia marcar o centésimo gol de sua carreira. Rogério já era, até então, o goleiro que havia marcado mais gols na história do futebol e chegar ao centésimo era considerado pelos principais cronistas como um feito tão ou mais simbólico que o milésimo gol do Rei Pelé.
O Jogo
O Jogo começou de forma bastante disputada, com o Corinthians apresentando certo domínio de posse de bola, porém, por volta dos 20 minutos de partida – as ações de ataque das duas equipes já estavam equiparadas, e o jogo estava muito disputado.
Na altura dos 30 minutos de jogo, o São Paulo começou usar sua velocidade para envolver o Corinthians, e com rápidas intervenções de ataque, começou incomodar de forma mais aguda a base defensiva corintiana.  E aos 39 minutos - com forte arremate de fora da área do atacante Dagoberto -, o São Paulo abriu o placar.
O primeiro tempo seguiu com forte atuação ofensiva das duas equipes. O segundo tempo começou com o Corinthians pressionando e o São Paulo rebatendo em fortes contra-ataques, e foi em um lance de contra-ataque aos 7 minutos que o atacante Fernandinho sofreu falta, na extrema esquerda da grande área corintiana.
Fato: para todos aqueles que acompanharam futebol nos últimos 14 anos, é de conhecimento que faltas nas extremidades das grandes áreas são as especialidades do batedor de faltas do São Paulo, o goleiro Rogério Ceni. E por isto, o arqueiro tricolor foi para a cobrança, e aos 8 minutos de partida, ele – em uma linda cobrança -, marcou seu centésimo gol na carreira, 2 a 0 para o São Paulo.
A emoção em Barueri, local do jogo, era explícita, e para completar, pouco tempo após o gol, o lateral-direito do Corinthians, Alessandro, foi expulso após cometer falta agressiva no atacante Dagoberto. Neste momento, todos imaginavam que a partida havia se tornado fácil para o São Paulo, porém, aos 22 minutos do segundo tempo, o atacante Dentinho marcou e o placar ficou em 2 a 1.
Logo após, e de forma infantil, o atacante tricolor Dagoberto foi expulso, e o jogo ficou mais equilibrado, mas com consistentes decidas de contra-ataque, o São Paulo incomodava - e foi em uma decida como esta, que o atacante Dentinho do Corinthians foi expulso. Após isso, o São Paulo passou a cozinhar a bola, e aos 51 minutos do segundo tempo, a partida encerrou, e o tabu havia caído e o centésimo gol do goleiro artilheiro havia sido marcado. Um dia de glória tricolor.
Centésimo gol
Apesar do não reconhecimento da FIFA – fator secundário -, o goleiro Rogério Ceni e a torcida do São Paulo comemoraram muito o centésimo gol, e, como esperado, o Corinthians baseou-se na posição da maior entidade do futebol, alegando que Ceni havia marcado seu 98º gol, anulando dois gols marcados em amistosos. Mas o São Paulo e sua torcida reconhecem o centésimo gol do tricolor, fator determinante para a festa.
A posição do Corinthians é justificável, pois a partir de agora: o time entrou para história como o time que tomou o centésimo gol de Rogério Ceni, fato este que entrou para os anais do futebol.



quarta-feira, 23 de março de 2011

Reflexão sobre a rodada

A premissa pétrea que coloca o futebol como esporte favorito dos sul-americanos, pelo menos da massa, é a improbabilidade, ou a suposta improbabilidade, pois todos estão acostumados com surpresas no esporte do couro e do barbante, peripécias que suscitam nossa sanha e nos faz torcer cada vez com mais paixão.
Nesta quarta-feira (22), em jogo válido pela 15ª rodada do Campeonato Paulista, o Paulista recebeu o São Paulo em Jundiaí, o líder do campeonato. Naquele momento, o Paulista ocupava a 8ª posição na tabela de classificação, e estava em um bom momento. Eu assisti alguns dos jogos do Paulista na Copa do Brasil e no Campeonato Paulista e não via possibilidade do atual elenco vencer os grandes.
Acreditava que o melhor resultado a ser obtido pelo time de Jundiaí seria um empate, mas o Paulista ousou lutar e ousou vencer- citando Lamarca, e pelo placar de 3 a 2 – venceu o jogo.  Tal resultado relembrou os bons momentos (2002-2007) do time de Jundiaí; época que rendeu belas lutas de acesso à Série A do Brasileirão, uma final de Campeonato Paulista e a conquista do título da Copa do Brasil.
Sou de Jundiaí e são-paulino, e defendo a tese: se for para perder para um time pequeno, que seja para o Galo. Então, lamento a derrota do São Paulo, que colocou o Corinthians na liderança, mas fico feliz pela campanha do Paulista, que caso fique entre os 8 primeiros colocados, poderá disputar a série D, e assim voltar ao patamar dos últimos anos, em que disputava a série B.
O São Paulo precisa vencer o clássico contra o Corinthians e assim ficar com mais força para a fase final do campeonato, estou confiante na vitória. Vamos São Paulo, vamos ser campeão!

sábado, 19 de março de 2011

Deixemos o Obama pra lá, a cá nos preocupemos com outras coisas

A UM PASSARINHO

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!

(Vinicius de Moraes)
Muito se tem discutido, analisado, desdenhado, banalizado, valorizado, desvalorizado e outras possibilidades do homem, sobre a visita que o presidente estadunidense, Barack Obama, está fazendo ao Brasil, em sua primeira viagem à América Latina. Obama chegou nesta sexta-feira (18).
Minha análise quanto a este fato parece-me simplista, porém, não consigo formular qualquer outra inflexão sobre o tema, pois tenho dito em debates travados sobre diversos entraves de nossa atual conjuntura política, que a maior lição que podemos tirar do governo Lula, é de que há de existir uma distinção muito clara entre movimento social e governo.
Os movimentos sociais servem para que as demandas do povo tenham força e o governo, em nosso contexto, tem, dentre muitas outras atribuições, de cumprir o protocolo institucional. E receber autoridades para que sejam firmados novos acordos comerciais, faz parte do protocolo. Ademais, é lisonjeiro que o Brasil – no início de um novo governo – tenha relevância estratégica para qualquer estadista.
O que nós – povo -, devemos fazer, é pressionar e esperar para que excelentes acordos comerciais sejam firmados para que o Brasil possa reduzir, ou eliminar, o déficit que ostenta na balança comercial com os Estados Unidos. Cobrar do presidente Obama, uma posição efetiva na chamada guerra cambial.  As demais posições não devem ser discutidas neste momento, agora é a vez de uma reunião de estadistas para discutir ações comerciais.
As outras posições do Brasil devem ser defendidas nos momentos e nos fóruns pertinentes, pois para assuntos tão complexos - devem ser tomadas medidas de resolução também complexas ad nauseum, até que o unilateralismo prevaleça nos principais fóruns, e assim as idéias progressistas comecem a prevalecer nas principais resoluções
Então, não me oponho com nenhuma atitude tomada pelo governo brasileiro até o momento, como também acho muito oportuno que os movimentos sociais defendam as suas pautas, aproveitando o ensejo da presença do presidente Obama. Os 13 militantes do PSTU que estão presos devem ser soltos rapidamente, mantê-los presos é uma vergonha para o estado brasileiro.
Em suma, quero dizer o seguinte: “Presidente Dilma, faça o homem assinar tudo a nosso favor, e camaradas, vamos reclamar”, cada um cumprindo com o seu respectivo papel. Mas deixo claro, que, por este prisma, concluo dizendo que a única finalidade da visita é obter avanços nos tratos comerciais, assim como na posição americana na guerra cambial.
Se for por mais um verso, não somos mais poetas. Queremos avanço para o nosso país, para o nosso povo. Estamos muito felizes e confiantes. Exigimos respeito, que eles cada vez mais nos tratem como um país altivo e prospero e que eles tenham de nos agradar, fazendo-nos visitinhas, pois nos vemos muito menos, já que não vamos mais ao FMI como antes.
Sendo assim, deixemos o presidente Obama passear, enquanto fomentamos ainda mais nossas lutas, por nossas pautas tão imprescindíveis. Não estou me importando com ele, não fui eu quem o convidou.

terça-feira, 15 de março de 2011

A fantasia de democrata está caindo


“Se o PFL for o sinônimo de democracia no Brasil, eu deixo de ser democrata”
                   (Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva)



A alcatéia dos lobos mais astutos do Brasil reuniu-se hoje (15) em seu segundo congresso para colocar em prática o plano de salvação da direita brasileira, o Democratas, antigo Partido da Frente Liberal (PFL), partido que sucedeu o Partido Democrático Social (PDS), descendentes da mãe ARENA, está tentando cauterizar a maior ferida de toda a sua história.
A hemorragia tem sido aguda e a direita e o DEM estão em estado de isquemia, uma grande perda de sangue está sendo anunciada há algum tempo, as plaquetas sanguíneas da direita estão muito baixas, e a perda de sangue é eminente.  Os especialistas deram ao fenômeno o nome de Peculiar Doença Brassônica (PDB). Nos corredores do DEM, a PDB está tirando o sono de muitos lobos. Para resolver tal diagnóstico, os membros do partido designaram o Doutor Agripino Maia para presidir a comissão de análise e enfrentamento da PDB.
Brincadeira à parte, o Democratas hoje deu sua cartada final para a salvação do partido, e elaborou sua prática de enfrentamento da crise pós Kassab, o articulador da vez é o Senador Agripino Maia, aquele que é simpático ao banqueiro Daniel Dantas e ao regime de cessão, que já acalmou os ânimos da rainha ruralista Kátia Abreu e do Barão Ronaldo Colombo.
Na última semana a Senadora Kátia Abreu (TO) havia externado sua insatisfação dentro do partido, assim como o atual governador de Santa Catarina, Ronaldo Colombo. O Democratas, que viu sua bancada no congresso diminuir sistematicamente no último período, está querendo recolocar-se no controle das rédeas da política brasileira.
O fato é que a política nacional está se renovando, as lideranças das últimas quatro décadas estão dando lugar para as novas lideranças, e a direita não renovou muito bem seus quadros e por isto, é a que mais sofre com tal situação. O DEM representa o arcabouço da direita no país, e por isto é o principal afetado. A saída do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do partido – representa que o terreno liberal não é mais tão bom para o plantio político.
Kassab não virou socialista, mas após fundar Partido Democrático Brasileiro (PDB) vai migrar para o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Não é a primeira vez que a direita utiliza-se da bandeira socialista para conseguir chegar às massas.  O campo progressista deve saber fazer a leitura mais realista da situação e ajudar a isquemia da direita causar falência múltipla das forças direitistas.
Utilizar do eventual espírito solícito do prefeito Kassab da melhor forma, sem perder a ciência de quem é Kassab, verdadeiramente. Pois faz parte de qualquer processo revolucionário ou meramente progressista, que alguns quadros das forças reacionárias acabem migrando para o campo em ascensão para não perder a musculatura política.
Então que eles finjam que gostam do povo, e que o povo consiga entender o oportunismo momentâneo e possa fazer a melhor leitura da situação, e assim discernir entre o oportunista e o progressista. Cabe à esquerda colaborar para esta compreensão.
Para que a tão sonhada extirpação da corrente ideológica que o DEM representa aconteça, as mudanças esperadas para com este governo devem acontecer e assim minar cada vez mais as possibilidades de atuação da corrente reacionária no Brasil. O insucesso da direita depende do sucesso da esquerda. Então, que comece o show.

Paradoxos

Texto de R. M. Sainsbury, com tradução de Aluizio Couto, retirado do sítio www.criticanarede.com ;
R. M. Sainsbury
Tradução de Aluízio Couto
Os paradoxos são divertidos. Na maior parte dos casos, são fáceis de enunciar e imediatamente nos instam a tentar “resolvê-los.”
Um dos paradoxos mais difíceis de tratar é também um dos mais fáceis de enunciar: o paradoxo do mentiroso. Uma de suas versões pede-nos que consideremos o homem que diz “o que estou dizendo agora é falso.” É o que ele diz verdadeiro ou falso? O problema é que se ele diz a verdade, está verdadeiramente dizendo que o que diz é falso, dessa forma dizendo uma falsidade. Mas se o que está dizendo é falso, uma vez que isso é apenas o que diz estar fazendo, tem de estar falando a verdade. Assim, se o que diz é falso, é verdadeiro; e se é verdadeiro, é falso. Diz-se que esse paradoxo “atormentou muitos lógicos da antiguidade e causou a morte prematura de pelo menos um deles, Filetas de Cos.” A diversão pode ir longe demais.
Paradoxos são sérios. Ao contrário de quebra-cabeças e problemas, que também são divertidos, os paradoxos levantam sérios problemas. Historicamente, estão associados a crises no pensamento e a avanços revolucionários. Enfrentá-los não é simplesmente jogar um jogo intelectual, mas antes enfrentar questões cruciais. Neste livro, dou conta de alguns paradoxos famosos (e outros não tão famosos) e indico como se poderia responder-lhes. Essas respostas levam a águas ainda mais profundas.
Eis o que entendo que é um paradoxo: uma conclusão aparentemente inaceitável derivada por meio de um raciocínio aparentemente aceitável que parte de premissas aparentemente aceitáveis. As aparências têm de ser enganadoras, uma vez que o aceitável não pode conduzir por passos aceitáveis ao inaceitável. Geralmente, então, temos uma escolha a fazer: ou a conclusão não é realmente inaceitável ou o ponto de partida ou o raciocínio tem alguma falha que não é óbvia.
Os paradoxos ocorrem em graus, dependendo de quão bem a aparência camufla a realidade. Finjamos que podemos representar quão paradoxal algo é numa escala com dez pontos. Damos 1 à extremidade da escala mais fraca ou superficial; à extremidade cataclísmica, morada de paradoxos que afetam sismicamente uma vasta região do pensamento, damos 10. Servindo como indicador para aquilo que demos 1 está o chamado paradoxo do barbeiro: numa remota povoação siciliana, acessível subindo uma longa e íngreme estrada de montanha, o barbeiro faz a barba de todos e apenas daqueles moradores que não barbeiam a si próprios. Quem barbeia o próprio barbeiro? Se ele mesmo o faz, então não o faz (uma vez que barbeia apenas aqueles que não barbeiam a si próprios); mas se não o faz, então de fato o faz (uma vez que barbeia todos aqueles que não barbeiam a si próprios). A suposição inaceitável é a de que exista tal barbeiro — que se barbeia a si mesmo se, e somente se, não se barbeia a si mesmo. A história pode ter soado aceitável: fez-nos dar atenção, agradavelmente, às montanhas do interior da Sicília. No entanto, quando vemos as conseqüências, percebemos que o relato não pode ser verdade: não pode haver tal barbeiro ou tal povoação. É inaceitável. Este não é um paradoxo muito profundo porque o fato de ser inaceitável é sutilmente disfarçado pelas montanhas e pelo lugar remoto.
No outro extremo da escala, o ponto que denominamos 10, coloco o paradoxo do mentiroso. Parece o mínimo que devemos à memória de Filetas.
Quando mais profundo o paradoxo, mais controversa é a questão de como se deve responder-lhe. Quase todos os paradoxos que discuto nos capítulos seguintes ficam com 6 ou mais na escala, de modo que são realmente sérios. (É defensável que alguns paradoxos do capítulo 2 e do apêndice ficam mais abaixo na escala.) Isso significa que há uma grave e não resolvida discordância sobre como lidar com eles. Em muitos casos, mas certamente não em todos (não, por exemplo, no caso do paradoxo do mentiroso), tenho uma perspectiva definida; mas devo enfatizar que, embora naturalmente pense que minha própria perspectiva está correta, gente maior do que eu tem sustentado perspectivas diametralmente opostas às minhas. Para ter uma idéia de como algumas dessas questões são controversas, sugiro examinar as sugestões de leitura adicional no fim dos capítulos.
Alguns paradoxos agrupam-se naturalmente por assunto. Os paradoxos de Zenão discutidos formam um grupo porque todos lidam com espaço, tempo e infinito. Os paradoxos do capítulo 4 formam um grupo porque incidem sobre a noção de ação racional. Alguns agrupamentos são controversos. Russell, por exemplo, agrupou o paradoxo sobre classes com o paradoxo do mentiroso. Ramsey, na década de 1920, argumentou que esse agrupamento ocultava uma diferença significativa. Mais recentemente, tem-se argumentado que Russell estava mais próximo da verdade do que Ramsey.
Comparei alguns dos paradoxos aqui tratados num único capítulo, mas não fiz qualquer tentativa de delinear padrões mais vastos. De qualquer maneira, é discutível que haja tais padrões, ou mesmo que os paradoxos sejam todos sinais de uma só “falha cognitiva principal.” Esta última afirmação foi engenhosamente discutida por Roy Sorensen (1988).
Nas caixas, ao longo do texto, podemos encontrar perguntas. Espero que atentar nelas dê prazer ao leitor e o incitem a desenvolver alguns dos temas presentes no texto. As perguntas com asterisco são referidas no apêndice II, onde insisto em algo que pode ser relevante para uma resposta.
Sinto que o capítulo mais difícil é o 6, mas pode muito bem ser deixado para o fim. O primeiro e o segundo são provavelmente os mais fáceis. A ordem dos outros é arbitrária. O 7 não introduz um paradoxo; antes examina o pressuposto, feito nos capítulos anteriores, de que todas as contradições são inaceitáveis. Penso que este capítulo não faria muito sentido para alguém totalmente alheio aos tópicos discutidos no capítulo 6.
Enfrento um dilema: considero que um é livro desapontador quando o autor não expõe as suas próprias crenças. O que o impede de dizer e argumentar em favor do que pensa ser a verdade? Eu não poderia me restringir dessa maneira. Por outro lado, não gostaria que alguém acreditasse no que digo sem primeiro considerar cuidadosamente as alternativas. Assim tenho de oferecer um conselho um tanto paradoxal: seja muito cético quanto às “soluções” propostas; elas são, penso eu, corretas.
Comentário: Trata-se de uma breve explanação sobre a problemática do paradoxo dialético, que como bem citou o autor, pode causar a morte.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Parabéns Vai-Vai

A música venceu, o refrão do samba enredo da Vai-Vai mexeu com todos no Anhembi e principalmente com aqueles que valorizam a arte no carnaval. Em tempos recentes, o tradicional desfile das escolas de samba deixou de ser sinônimo de arte, pois algumas escolas vêm cumprindo um papel oportunista nos últimos anos.

Subtende-se que o desfile das escolas é a única oportunidade que algumas comunidades têm de expressar os anseios da população, porém, algumas agremiações estão cumprindo o script do luxo e perdendo a essência carnavalesca. O luxo não atrapalha, mas a falta de samba sim.
Por isso, parabenizo a comunidade do Bixiga, pela exaltação do samba e da música, e viva o maestro João Carlos Martins.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Morro dos Ventos Uivantes

Depois de procrastinar por muito tempo, resolvi ler a célebre obra da literatura inglesa, “O Morro dos Ventos Uivantes”. Foi a última leitura fora do meu plano de leitura para este ano, por isso escolhi uma obra que – com certeza - encontraria prazer.
Trata-se daquelas leituras que nos prendem e nos desperta ansiedade em virtude do desenrolar dos acontecimentos, que são surpreendentes e extremamente meticulosos.
A exploração do sofrimento da humanidade, da sanha do homem pela maldade e pelo espírito satírico, são fundamentos pétreos do romance.
O quesito “fluxo de consciência” é deveras utilizado pela autora, e por isso, o romance agrada românticos, frios e agnósticos. 

A obra
Escrito pela inglesa Emily Brontë, o romance Wuthering Heights ganhou no Brasil o título de O Morro dos Ventos Uivantes, na tradução de Rachel de Queiroz. A trama tem seu arcabouço em um triângulo amoroso, constituído por Heatcliff, Catherine Earshaw e Edgar Linton.
Partindo pelo prisma freudiano, Heatcliff seria o ID, Catherine seria o ego e Edgar Linton seria o super ego, pois Heatcliff expressava uma selvageria aguçada em seus atos, Catherine era uma jovem que vivera cheia de cólera pelas emoções, mas sua razão a impediu de cometer algumas ações, já Edgar Linton foi, enquanto vivera, regido pela moral e pela ponderação em suas ações.
O título do romance é o nome do espaço onde a família Earshaw viveu – ao menos por três gerações -, onde o pai de Catherine, Mr. Earshaw, e sua esposa criaram seus dois filhos, Hindley e Cathy, com os auxílios da governanta Ellen Dean. Após a morte da mãe de Catherine, em um dia qualquer, seu pai regressou a Wuthering Heights acompanhado de um menino que encontrara em Liverpool – de uma viagem de negócios -, dando-lhe o nome de Heatcliff.
Heatcliff foi criado como filho pelo Mr. Earshaw, despertando em Hindley um profundo ciúme, já Cathy teve com Heatcliff, durante a infância, uma relação bastante afetuosa, uma espécie de idílio juvenil. Após a morte do patriarca da família Earshaw, Hindley iniciou um processo, onde assumiu a função de caudilho na vida de Heatcliff, humilhando-o em quase todos os dias, todos na casa achavam que Heatcliff era um cigano- por seus modos bastante distintos da cultura britânica -, e por isso o desdenhavam. Com exceção de Catherine.
Mas não foram os insultos de Hindley que fizeram com que Heatcliff saísse de Wuthering Heights, foi a traição que Caty cometera, aceitando casar-se com Edgar Linton.  Heatcliff não suportou tal decisão e sumiu - por três anos, voltando - para surpresa de todos, muito rico. Como o marido de Caty era muito rico - motivo maior do casamento -, todos entenderam que Heatcliff estava disposto a viver uma epopéia, mostrando, para aquela que o havia renegado, que ele seria mais rico que Edgar.
Cathy teve, com Edgar Linton, uma filha, porém não a conheceu, pois morreu no parto. Heatcliff acabou casando com a irmã de Edgar, Isabella Linton, e teve com a mesma um filho, Linton Heatcliff, que foi usado como principal arma para a vingança que Heatcliff tramara contra aqueles que o haviam humilhado na juventude.
Após a morte de Catherine Ershaw, Heatcliff aproveitou-se da posterior morte de Edgar Linton e empregou uma série de humilhações aos filhos dos seus verdugos do passado, Catherine Linton e Hareton Ershaw, filho de Hindley Ershaw.
Mas a mente de Heatcliff foi sua maior inimiga, onde a semelhança de Catherine com a mãe, fez com que o mesmo se sentisse perseguido pelo amor que sentira no passado, e por este acabou morrendo.
A história é contada através da narração da governanta Ellen Dean e da percepção de Mr. Lockwood sobre a história que lhe era contada e que posteriormente vivenciou, - locatório de Thrushcross Grange - , que após visitar Whutering Heights, ficou interessado pela história de seu senhorio, Mr. Heatcliff.
A obra foi lançada em 1847, sendo o único romance da autora.
A autora
Emily Jane Brontë nasceu em Thorton, em 30 de julho de 1818 e morreu em Haworth em 19 de dezembro de 1848, aos 30 anos. Sendo a quinta de seis filhos, tendo entre suas irmãs – duas escritoras, Charlotte Brontë e Anne Brontë. Seu irmão, Branwell Brontë, fora pintor. A família Brontë era conhecida pela verve artística.
Emily escreveu muito mais poemas, tendo como único romance: Whutering Heights.
Cinema   
Whutering Heights já sofreu várias adaptações na sétima arte, e a versão que mais obteve destaque, foi sob a direção de William Wyller, lançada em 1939, contando com nomes no elenco como Laurence Oliver e Marle Oberon. A filmagem venceu o New York Critics Circle Award como melhor filme, e foi indicada ao Oscar.

Música e teatro
A obra foi retratada por diversas vezes no tablado em formato de musical. No mundo musical, a canção Whutering Heights da cantora britânica Kate Bush, obteve sucesso em todo mundo.

No Brasil
Em terras tupiniquins, duas telenovelas foram produzidas em deferência à obra, “O Morro dos Ventos Uivantes” em 1967 e “Vendaval” em 1973.