domingo, 28 de agosto de 2011

Mais um tiro na pouca “moral” que ainda existe




Para aprofundar a decadência da ética e fomentar de forma acachapante o descrédito à nossa (ainda) pequena crença na suposta ética da velha mídia, veio-nos como um chute no traseiro em mais um dia do imenso porre de melancolia que o segmento (imprensa) sofre - a tentativa de invasão ao apartamento do ex-ministro e atual membro da direção do PT, José Dirceu, quebrou a fina vidraça que segurava os principais “calunistas” da tropa de choque das oito famílias que se intitulam donas da informação nacional. Agora quebrou o teto de vidro, e eles estão machucados, caídos no chão.
Em um momento cujo grandes conglomerados midiáticos tentam criminalizar aquilo que é tido como avanço básico nos países desenvolvidos, que é o projeto do marco regulatório da mídia – projeto escrito pelo ex-ministro da comunicação social Franklin Martins no Brasil -, em um momento no qual Rupert Murdoch – barão da comunicação mundial -, é desmascarado na Inglaterra por práticas ilícitas na apuração das reportagens dos veículos do seu conglomerado midiático, período de avanços democráticos claros quanto à comunicação na Argentina e a criação de outros meios, principalmente as redes sociais, que proporcionam a todos os usuários a oportunidade de “formar opinião”, que desafia a linha editorial padrão dos grandes conglomerados e dos governos conservadores (leiam-se opressores).
O veículo que financiou o repórter invasor está em um momento de crise ética, sendo, com certeza, a revista semanal que mais enfrenta rejeição no meio acadêmico e na parcela da sociedade que tem formação superior. Mas não abandona a sua trincheira, faz o que pode para garantir a parcela do dinheiro público que recebe de governo tucano.
Desta vez abusou da fama de “antiética” e se pôs de uma vez por todas no pavilhão dos “faço mesmo e daí?”, envergonhando jornalistas como Mino Carta – que participou da fundação da revista -, e agora a vê a serviço da truculência direitista. Na verdade Mino se distanciou há muito tempo do projeto conduzido pela “Famiglia Civita”
O exímio “calunista” Reinaldo Azevedo já se posicionou colocando a revista como vítima de um processo sujo e corrupto, utilizando da velha retórica rasa e moralista dos neoliberais brasileiros. Vamos aguardar o que irá ocorrer, o fato é que a revista vai sofrer processo via PGR, apertem os cintos que dias interessantes estão por vir.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

As bandeiras da humanidade e suas convergências para conquistar para todos


As hastes da humanidade seguram muitas bandeiras, bandeiras dignas e essenciais para que possa alcançar o sentido mais pleno de sua existência: viver em harmonia com o planeta terra, com todos os homens e mulheres tendo os direitos da respeitosa estadia. Dos homens comuns aos responsáveis em tomar decisões determinantes para o destino da humanidade, o sentimento deve ser o mesmo: fazer pelo todo. Certa vez, o mexicano César Chávez disse: "Não podemos buscar realização para nós mesmos e esquecer-se do progresso e prosperidade para nossa comunidade. Nossas ambições precisam ser amplas o suficiente para incluir as aspirações e necessidades dos outros, pelo bem deles e pelo nosso próprio. "
Os seres humanos que mais contribuem para o todo são aqueles que possuem o adereço amplitude, que faz o espírito se tornar largo, que abrange sentimentos fraternais aos seus iguais na mesma proporção daqueles que têm por si. Em sua Autopsicografia, o poeta português Fernando Pessoa disse que os que lêem os que escrevem na dor lida sentem bem, ou seja: o poeta desperta no homem a amplitude de espírito que cada um tem, mas que por algumas vezes está escondida.
Na verdade esta é a função da arte, despertar o que há de mais nobre e mais sórdido no homem, dependendo da intenção do artista – em seu mais alto potencial. As feministas devem lutar pela igualdade, sem esquecer que os homens também são atores fundamentais para que esta exista. Os negros devem exigir o fim do preconceito, entre todos, sem alimentar-se da raiva, pois o remorso só trará dificuldades no avanço que tanto precisam.
Os trabalhadores devem entender que todos têm de estar juntos para que a conquista venha de um modo rápido, sem a chance do retrocesso. Os homossexuais devem exigir respeito, mas entendendo que o processo de conscientização será árduo, e a luta deve ser feita em todos os dias.
Os ambientalistas devem brigar pela preservação do planeta, mas sem se esquecer que um terço da humanidade ainda está na miséria e que muitos ainda não têm o que comer. São muitas bandeiras, nos mais diversos segmentos, tendo na arte seu maior fomento. Do samba ao blues, a arte consegue unir os homens e mulheres de todas as classes, cores e raças.
Todas as bandeiras levam ao mesmo caminho: a igualdade entre os homens. Algumas de maneira explícita, outras nem tanto. Mas quando todos puderem dar as mãos sem qualquer medo, o resultado esperado já estará obtido, e aí a humanidade encontrará caminhos menos estreitos para as tantas lutas que ostenta.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Grande Sertão Veredas: uma obra imperdível



Somos antropófagos por natureza, como disse Oswald de Andrade, e podemos, com este atributo, produzir obras ímpares que ostentam peculiaridades de todos e ao mesmo tempo somente nossas. Uma loucura só entendida em nosso continente, pois nem todos têm o “swing” que temos.
A literatura é o terreno mais fértil para que idéias cozinhadas em culturas diversas aflorem para uma cultura específica, incorporando todos os adereços temáticos a esta, parecendo que sempre pertenceram àquele determinado contexto.
Neste sentido, muitos elegeram a celebre obra “Grande Sertão Veredas’ do escritor mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) como a mais completa da literatura brasileira, tal afirmação goza da minha concordância, pois é a obra que usa das principais ferramentas literárias para descrever o cotidiano da “jagunçagem” da zona da mata, ou Vale do Jequitinhonha e suas veredas das Gerais, como muitas vezes é citado na obra.
João Guimarães Rosa era um poliglota fantástico, e um exímio conhecedor da língua portuguesa. Com toda a sua habilidade de romancista e frasista – criou uma linguagem única para Grande Sertão Veredas, usando palavras que ao ler parecem tão usuais, mas só estão nas linhas da obra do escritor mineiro.
O enredo aborda um romance supostamente homo afetivo, entre Riobaldo e Diadorim - que se chamava Reinaldo – ou Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins. O foco narrativo é em primeira pessoa, cujo Riobaldo ao longo da meticulosa descrição da qual fazia de sua vida de jagunço a um conhecido, mostrava sua aversão aos sentimentos diferentes que tinha pelo melhor amigo.
O clímax está reservado para o final, pois ocorrem revelações que dão sentido aos mais diversos sentimentos descritos por Riobaldo. A leitura é fantástica, fluindo naturalmente, porém, com um leve cansaço no início, pois a descrição acaba se tornando cansativa. Assim que os amigos entram em sua aventura e vida de jagunços, a leitura flui muito bem. 

sábado, 6 de agosto de 2011

Leci Brandão honra o seu passado e traz esperança para o futuro


Nas andanças pelas redes sociais, me deparei com uma chula crítica à deputada Leci Brandão (PCdoB), nesta o sujeito se perguntava o que ela estava fazendo num vídeo em que aparecia com o deputado Pedro Bigardi (PCdoB) falando sobre a realização da copa do mundo no Brasil em 2014, afirmando que a mesma deveria estar em uma roda de samba e não na política.

Conheço o autor da crítica, e sei que o mesmo a fez mais por ignorância do que por maldade embasada, mas mesmo assim não deixou de ser uma crítica preconceituosa. Acredito que ele não saiba do passado de Leci, de sua militância no movimento negro, nas religiões afro-descentes e no movimento de afirmação do samba na cultura nacional.
Com certeza, o mesmo não tem acompanhado a atuação de Leci na Assembléia Legislativa (ALESP) em defesa das minorias, apresentando projetos e afirmando a presença da mulher em um contexto ainda muito machista. Quando eleita, Leci prometeu coerência. Nisto já ficou claro como serão os quatro anos da primeira estadia dela na ALESP, honrando o seu passado e firmando as suas antigas bandeiras.
A voz do crítico serviu de impulso para as verdadeiras vozes simpáticas à truculência machista e racista, mas não têm relevância, pois os mais de 80 mil votos que foram recebidos por Leci são a prova de que o povo a conhece, sabe de sua história como mulher, sambista, negra e principalmente como brasileira. Viva Leci Brandão!