quarta-feira, 25 de maio de 2011

Análise conjuntural da blogosfera progressista


                           A blogosfera progressista tem de ser progressista

Se estivéssemos em uma guerra da comunicação (e acredito que estamos), com certeza a ala vermelha estaria encabeçada pelos blogueiros progressistas, que se organizaram e hoje é o principal reduto daqueles que apontam um caminho de democratização da comunicação mais tangível, mostrando que a internet é a terra dos “jedis” na luta contra os “siths” da velha mídia.
O ponto de análise deste artigo não é a blogosfera, mas sim o conceito do termo “progressista”, o que é sê-lo? Lembremos que o partido de Paulo Salim Maluf (o filhotinho da ditadura) chama-se Partido Progressista (PP). Um forasteiro em terras tupiniquins perguntaria se os blogueiros progressistas são militantes do PP que usam um blogue como ferramenta para o avanço. Para aqueles que conhecem o espectro político brasileiro, isto é uma blasfêmia. Mas se trata de uma das contradições do nosso cenário político.
Na filosofia, o pensamento progressista está ligado ao pensamento positivista, e o positivismo descarta qualquer idéia não fundamentada cientificamente, ou seja: ser progressista é ser fundamentado. Para derrubar o conservadorismo é necessário derrubar a estrutura do arcabouço que sustenta as idéias defendidas pela elite que não quer que ocorram mudanças que possam abalar seu status quo. Deste modo, é esperada de qualquer progressista, a necessária fundamentação na defesa de suas teses.
O materialismo dialético de Marx postula que qualquer corrente de pensamento corresponde às leis da realidade. A matéria e seu conteúdo histórico ditam a dialética marxista: a realidade é contraditória com o pensamento dialético. "A dialética é ciência que mostra como as contradições podem ser concretamente idênticas, como passam uma na outra, mostrando também porque a razão não deve tomar essas contradições como coisas mortas, petrificadas, mas como coisas vivas, móveis, lutando uma contra a outra em e através de sua luta." (Henri Lefebvre, Lógica formal/ Lógica dialética, trad. Carlos N. Coutinho, 1979, p. 192)
Analisar qualquer fenômeno através do materialismo dialético é esmiuçar em todos os aspectos, os mesológicos e históricos, pois o anacronismo é o erro mais grave em qualquer análise.
Deste modo, é compreensível que o blogueiro progressista é aquele que está ao lado das correntes políticas progressistas, e que procura ter embasamento para defender suas teses. Analisar um fato pelo viés progressista é estripá-lo.
No entanto, alguns blogueiros progressistas, que administram alguns dos blogs mais visitados, não se portam deste modo. Analisando pelo governo Dilma, em quatro discussões determinantes, como: a discussão do ajuste do salário mínimo, a festa de 90 anos do Jornal Folha de São Paulo, recentes decisões de política externa e o debate em torno do código florestal, foi possível perceber análises rasas de alguns membros da blogosfera.
Poucos prestaram atenção nos reforços de figuras do conservadorismo brasileiro em torno de suas análises nestes temas, sendo estas também conservadoras, para elucidar vou destacar a presença da presidenta na festa do jornal paulista, onde alguns quiseram condená-la por se portar de forma institucional em um evento onde ela deveria se portar daquela forma, pois independente de seu espectro político, Dilma Vana Roussef é presidente de 194 milhões de brasileiros.
Trabalhar para ter menos contendas com a imprensa – diferentemente do governo Lula -, é o avanço necessário, fazer com que esta perca seu poder de influência também o é. Lula tinha um acerto de contas a fazer com os grandes conglomerados midiáticos, Dilma não, ademais a primeira mulher presidente não goza do carisma do primeiro operário presidente.
Outro fato que deve ser analisado é a discussão feita em torno do relatório do Deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) sobre a mudança do Código Florestal. Poucos mostraram conhecer a história da luta da esquerda neste país, pois somente alguns – como este que vos escreve -, analisaram a partir da biografia do autor, sabendo que o mesmo representa o pensamento genuinamente progressista.
Na maior parte das análises feitas pela blogosfera sobre o relatório, não vi citações do texto, onde muitos sequer leram o relatório, e colocaram a organização mundial Greenpeace como baluarte da luta pela preservação do mundo, esquecendo que a mesma não faz campanhas semelhantes em países ricos.
A defesa do relator é que hoje os pequenos produtores rurais são miseráveis, lembrando que a CONTAG (Conferência dos Trabalhadores da Agricultura) apoiou a mudança do código, e vi poucos contrapontos fundamentados a este fato. Aldo não defendeu o desmatamento, em minha opinião, o mesmo defendeu a adequação de uma lei feita em 1965 para os dias atuais, e após quase dois anos de trabalho, e mais de 100 audiências públicas, entregou um texto que no mínimo traz a necessária reflexão sobre a conjuntura da agricultura e do código florestal atual.
Hoje, para alguns progressistas do Brasil, ser ruralista é ser explorador, porém, pelo verbete do filólogo Evanildo Bechara, ruralista nada mais é que aquele que é produtor rural ou defende os interesses do ruralismo, não fornecendo informações sobre a proporção de terra que um ruralista deve ter, sendo assim: os pequenos produtores são ruralistas, então, o ruralismo não é reduto dos grandes produtores somente. Entendo que alguns possam discordar de certos conceitos defendidos pelo relator, mas com embasamento tudo fica mais claro.
 Em suma, as análises rasas de alguns blogueiros progressistas os tornam não progressistas, e sim somente blogueiros. Neste ano, diversos encontros estaduais já aconteceram e muitos outros vão acontecer, assim como II Encontro Nacional, e acredito que é o momento de fazer a autocrítica, pois para enfrentar os grandes conglomerados se faz necessária a qualidade em análises profundas, próximas da realidade do nosso povo. Somente assim a blogosfera conseguirá enfraquecer a grande mídia, dando musculatura para a luta pela democratização da informação.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Crítica da obra Macunaíma

“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos", disse um dos meus “reaças” favoritos, Nelson Rodrigues. Leio muitos livros, mas também releio muitas obras, tudo depende do assunto estudado no momento. Nada muito consciente, muitas vezes acontece por instinto, onde a mente sugere a obra. Em tempos recentes, decidi reler o clássico Macunaíma, lançado em 1928, do autor modernista paulista Mário de Andrade.


Às margens do rio Uraricoeira, na Floresta Amazônica, nasceu Macunaíma, o herói de nossa gente. O Imperador do Mato é a síntese do espírito genuinamente brasileiro, sendo egoísta, safado, preguiçoso, inteligente – capaz de exercer persuasão a todos que estão a sua volta, era descrito pelo autor como portador de uma ingenuidade oriunda das terras tupiniquins.
Mário de Andrade afirmou que não quis criar um documento para consulta sobre o folclore brasileiro, pois misturou diversos “causos” de nossa gente, e na obra empregou uma linguagem simples, sonorizada, portadora de uma cadência musical, escrevendo uma rapsódia popular, não um livro de história.
Escrita em seis dias, em Araraquara, a obra foi bem aceita por parte da crítica, sendo que alguns outros setores questionavam a autenticidade do herói, acusando que se tratava de uma imitação da obra do alemão Koch-Grunberg, fato este, assumido pelo autor, que, como todo bom “antropofagista”, engoliu muitas linhas de muitas obras para vomitar o herói.
Fazendo releituras de crendices de quase todos os cantos do Brasil, a obra coloca o índio, brasileiro nativo, como representante da cultura de nossa terra, que encontra em seu adversário, o gigante Piaimã, de nome Venceslau Pietro Pietra, seu antagônico, o estrangeiro – comedor de gente.
A batalha entre o brasileiro genuíno e o estrangeiro é o grande enfoque desta rapsódia, que somente no final do texto tem seu desdobramento.
Com certeza é uma das maiores obras de nossa literatura, que proporciona uma leitura muito rápida, pois como já dito, possuí uma cadência musical. Lançada seis anos depois da Semana de Arte Moderna de São Paulo, a obra expressa todo o espírito modernista que havia dominado certos autores, principalmente os paulistas, especialmente os amigos Osvald e Mário de Andrade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Higienópolis: A nova batalha

Revolução francesa: a rebelião dos burgueses

Ainda existe luta de classes?
Os inimigos do socialismo científico marxista afirmam que Marx errou em colocar a economia como norte para explicar todas as discrepâncias da humanidade, sugerindo que não existe mais luta de classes no século XXI. O liberalismo de Adam Smith simplificou todo o processo, colocando o mercado como única solução para a humanidade. A ideologia marxista para estes, como o genial Vargas Llosa, morreu, quando caiu o muro de Berlim.
O oportunismo científico liberal ganhou musculatura e virou neoliberal, e tendo em Washington sua base, dissemina o fim da eficácia da análise marxista acabando com o conceito de luta de classes, exaltando aquilo que Marx denominou de “alienação”, limitando o proletariado no que se refere a tomar consciência naquilo que precisa fazer em prol da sua revolução.
 Todos os marxistas sabem que o discurso dos adeptos do Consenso de Washington é pura falácia, pois basta enxergar a penumbra para ver o quão forte é a luta de classes, que a cada dia se desdobra em um novo episódio.

O desdobramento do dia
A mais nova batalha da “Guerra de Classes” é o congelamento do projeto da estação de metrô que seria inaugurada na Rua Angélica, no bairro Higienópolis, em São Paulo. Para quem não conhece São Paulo, a Avenida Angélica é uma das mais tradicionais da cidade e corta boa parte do centro da cidade, ligando-o à região da Avenida Paulista.
Dentre os bairros que fazem margem à Avenida Angélica, está o elitista bairro de Higienópolis - reduto de muitos políticos e artistas-, tendo como ponto de encontro: o entojado Shopping Higienópolis.
Todos que andam em São Paulo sabem da necessidade do metrô alcançar aquela região. Sabendo do intento da prefeitura – que alguns anos atrás anunciou a necessidade de estabelecer uma estação naquele ponto -, a população “organizada” de Higienópolis organizou um abaixo-assinado, pedindo que não fosse instalada uma estação de metrô na nobre região, pois de acordo com uma moradora, traria pessoas “diferenciadas” para o bairro. Como se o aprthaid social-demográfico da cidade fosse constituído em lei.
Em repúdio a tal posição, os progressistas da cidade do igarapé do Tietê, vão organizar um churrasquinho em frente ao requintado shopping, para deixar claro que o eldorado de muitos nada mais é que mais um bairro da cidade e que, como todos, pertence aos paulistanos. O ato representará o repúdio à posição dos nobres moradores e servirá para pressionar a prefeitura para que a mesma retome o projeto de instalação da estação.
Não se trata de luta de classes? Caso não, o que é? A burguesia exige exclusividade, já as classes menos favorecidas exigem respeito aos seus direitos, uma parte luta por hegemonia e a outra por universalização. De que lado você está?  Eu vou ao churrasquinho.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Código Florestal: Debate oportunista ou propositivo?



A contento de alguns e tristeza de outros, os fatos mostram que muito tempo se teve para a discussão do novo código florestal, o que não ilegítima as reivindicações de alterações quanto ao atual texto, tudo é questão de interpretação, seja para defesa ou para crítica.
 O ponto de análise deste artigo não é o mérito do texto do Deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), mas sim o corriqueiro e desagradável oportunismo político, pois tal tema tem sido ambiente muito propício para os adeptos desta causa.
O relator que historicamente esteve na trincheira da bancada progressista na câmara, vê-se em uma situação atípica, pois boa parte dos parlamentares tidos como progressistas, estão dando-lhe as costas, e parte daqueles que sempre o perseguiram, os conservadores, está apoiando-o.
Tal análise proporciona uma rápida conclusão: o relator mudou de lado, e neste caso, aderiu à bancada ruralista, mas para mim trata-se de uma análise tão rasa como foi a refeição oferecida pela raposa à garça em sua tigela, na fábula de Esopo.
Acontece que a causa ambiental é bandeira de ambos os lados da política, ou seja: tanto a esquerda quanto a direita querem estar bem no cenário verde, mas com viés diferenciados, a esquerda com seu pensamento progressista, defende o desenvolvimento sustentável, e a direita tenta sustentar o agronegócio e as fontes de energia sujas pautando-se em temas longínquos, como se o único modo de ofensa às causas ambientas fosse a caça às baleias dos japoneses.   
Aldo Rebelo quis, em seu relatório, ser frio e consciente, e após muitas audiências públicas, apresentou um texto abrindo algumas limitações impostas pela legalização atual, assim como diferenciando os pequenos dos grandes produtores nas infrações e anistiando a questão da retroatividade, adequando-se ao texto da constituição nacional.
Por tais motivos, sua biografia está sendo esquecida por alguns, porém, o relator está dizendo desde quando o debate foi retomado rumo à votação, o relatório está aberto para alterações, pois se trata de uma decisão extremamente importante para o país.
A grande crítica feita deve-se ao fato de um tema que está por quase dois anos em discussão no país, desde agosto de 2009, esteja sendo objeto de reivindicações contundentes e cusparadas de muitos, alegando que não foi debatido no tempo adequado e solicitando mais tempo.
A ex-senadora e candidata Marina Silva, do Partido Verde (PV), tornou-se a porta-voz deste movimento, porém, não esteve presente nas audiências e somente agora, amparada por Organizações Não Governamentais (ONGs) internacionais e nacionais, manifestou-se.
Nos últimos períodos, esteve ocupada com sua agenda pessoal, e agora quer que o debate aguarde o seu metabolismo. Talvez após ter a oportunidade de entender tudo o que foi feito, ela concederá o direito de continuidade e votação. Onde estava a ex-ministra nas quase 100 audiências públicas realizadas?
Setores da mídia dizem que o código florestal não pode mudar - o que é ridículo -, pois o atual código é de 1965, em uma época onde a maioria da população era rural e cinco anos antes do ex-presidente Médici cantar: “90 milhões em ação (...)”, de acordo com o Censo 2010, o país tem atualmente cerca de 191 milhões de habitantes, massivamente concentrados na zona urbana.
Quem discorda que o código deve mudar? Quem discorda que punir pela retroatividade é inconstitucional? Quem discorda que o pequeno produtor deve ser tratado de forma diferenciada? Quem se incomoda quando a Miriam Leitão ecoa o seu discurso? Eu sim. Concordo com tudo proposto? Nem tudo. Mas o próprio relator disse que vai apresentar alterações na votação de amanhã, vamos aguardar.
Gosto de estar ao lado da Kátia Abreu? Não. Porém acredito que colocar a agricultura como maior responsável pelo desmatamento é pura falácia, que se faça a devida leitura e que apresentem melhores propostas. Esqueci, não fizeram. O debate já foi feito na câmara, agora que aguardem o senado. Recomendo apenas que fiquem atentos para não ter de contar com a ajuda da Miriam Leitão.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Viva à revolução!

Vídeos em homenagem a mais nova vitória da revolução socialista na América Latina, devido às reformas aprovadas em plebiscito no Equador.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Análise: Ser Jornalista de Ciro Marcondes Filho

Uma profunda e robusta análise marxista sobre a comunicação com uma meticulosidade histórica digna de um bom jornalista e marxista, a obra Ser Jornalista, lançada em 2009, do sociólogo e jornalista Ciro Marcondes Filho, com certeza não é indicada pela maioria dos cursos de jornalismo do ensino privado.
A obra não é indicada em universidades privadas porque analisa aguçadamente o processo de comunicação no mundo e no Brasil, a luta de classes dentro da comunicação e como o mercado de trabalho influencia a imprensa, como a imprensa porta-se no período da ditadura do capital, e como o emprego é usado pelos jornais-empresas para que o jornalista abdique de sua ideologia.
Em Ser Jornalista, Marcondes Filho acaba com a poética ilusória do jornalismo chamando a imprensa de ferramenta-mor da luta pela hegemonia do pensamento social, trazendo à tona o fato de que a imprensa foi a ferramenta que a burguesia usou para derrubar a aristocracia, e que hoje a atual burguesia usa para sustentar sua hegemonia.
De forma enfática, o texto de Marcondes Filho mostra como a notícia virou mero adereço na imprensa formal, dando à publicidade o espaço principal na estrutura do jornal, hoje o fato é o convite para que o leitor leia a publicidade. Alguns capricham no convite, outros preferem não esconder o foco e colocam a publicidade in loco sem qualquer inibição.
O alemão Karl Kraus (1874-1936) é muito citado no primeiro capítulo por ser o pioneiro na crítica a imprensa fundamentada, o mesmo dizia que o jornalista pode ser comparado à prostituta, pois ao escrever seguindo a linha editorial do jornal está vendendo a consciência que tem.
Kraus dizia que o jornalismo é o oposto da literatura, pois os grandes autores faziam de seus romances verdadeiras extensões de seus espíritos, diferente dos jornalistas que não se apegavam em nenhum valor humano para escrever, apenas o faziam para vender e persuadir. A maior crítica do alemão era quanto à alienação da imprensa - causada por sua falta de ideologia -, pois esta causava à população outra alienação.
A obra não está somente focada na explanação histórica do jornalismo, mas também aborda sobre algumas premissas consideradas essenciais pelo autor para o jornalista, a principal delas refere-se ao texto, pois de acordo com Marcondes Filho – um bom texto depende de uma boa cabeça -, ou seja: para escrever bem tem de ter boas idéias e saber organizá-las.
Na crítica feita ao curso de jornalismo oferecido pelas universidades, principalmente do ensino privado, o autor aborda o foco das instituições, que preferem formar um produto para o mercado a um jornalista que possa desenvolver uma visão crítica e ter fundamentação para analisar o mundo de uma maneira profunda.
Trata-se de uma excelente obra que proporciona uma leitura entusiasmante, porém, devido à meticulosidade utilizada pelo autor, são exigidas uma forte dedicação e maturidade de compreensão textual para a compreensão ideal da mensagem proposta.

domingo, 1 de maio de 2011

1 de Maio: do sangue à ode ao trabalhador


O domingo está acabando, e em muitos cantos da terra já acabou e após belíssimas comemorações, cabe a reflexão sobre o dia dos trabalhadores, não do trabalho – como defende a grande e velha mídia.
Um rápido comentário: a velha mídia utiliza o termo “dia do trabalho” em detrimento ao dia do trabalhador, não por acaso, pois os conglomerados mediáticos defendem também o interesse patronal, pois pertencem às famílias que compõe grandes oligarquias, ademais dependem do dinheiro que a publicidade rende, ou seja: vivemos na ditadura do mercado, onde a exaltação do trabalhador não é interessante.
Quanto ao dia do trabalhador, o cerne de tal data está na greve geral estadunidense de 1886, mais precisamente na cidade de Chicago. Na chamada Revolta de Haymarket, dezenas de trabalhadores foram feridos e mortos pela polícia, em uma manifestação popular que durou quase uma semana.
A greve geral desencadeou diversos motins do proletariado pelo mundo, como a jornada de lutas pela regulamentação da jornada laboriosa de 8 horas diárias na França, encabeçada pela Internacional Socialista. Em 1919, o senado francês aprovou a lei que limitava a jornada de trabalho e adotou, no dia 1 de maio, o dia do trabalhador.
Em 1920, a Rússia também adotou a data, fato que influenciou diversos países. No Brasil, a data foi aderida em 1925, por um decreto do então presidente Artur Bernardes. Apesar de momentos de escuridão, a data está no calendário nacional até hoje.
Em 2011, podemos comemorar a democracia e a constituição brasileira que permite a manifestação dos trabalhadores, as leis trabalhistas e o atual momento do Brasil. Nos últimos tempos, as centrais foram reconhecidas, o salário mínimo ganhou um método de valorização progressiva efetivo, o poder de compra do salário mínimo está em um processo de valorização, diversos programas de regulamentação de trabalhos informais, o combate ao trabalho escravo e as políticas de fomentação da economia garantiram a criação de mais de 15 milhões de vagas.
A pauta do momento é a luta pela redução da jornada de trabalho a 40 horas semanais, aonde as centrais vêm realizando um abaixo-assinado para que o projeto possa ser discutido no congresso federal, com adesão popular, para garantir a conquista.
O dia 1 de maio de 2011 foi um dia de celebrações dos direitos já conquistados e pela pauta deste e do próximo período. Os sindicatos e centrais devem focar em um processo para unificar todos os trabalhadores do país e tentar colocar a luta por hegemonia de lado, para garantir que as lutas dos trabalhadores brasileiros tenham força.
"Trabalhadores do mundo, uni-vos!"  - Karl Marx e Fredrich Engels

Pensamento pequeno-burguês: o mais irritante

O pensamento pequeno-burguês com certeza é o mais irritante, ganha com larga vantagem de qualquer outra tendência classista, onde o maior mal deste pensamento é a sua megalomania, fato que torna a presença de qualquer portador de tal adereço altamente indesejável, para o mais tolerante social democrata ao mais ortodoxo marxista-leninista de carteirinha.
Sua ideologia vã provoca no máximo a degustação satírica, aquela de Petrônio, porém, suas intervenções em embates ideológicos irritam, pois para os elementos desta classe, não existe nada mais prazeroso do que o sucesso obtido e agrado ao seu fetichismo – por mais irrisório que seja – torna-se uma verdadeira ode ao espírito.
O adereço mais irritante desta classe é a sua alienação, fato que incomoda, pois os pequeno-burgueses ostentam com devoção e consideram-se superiores em seu universo paralelo. Samba para estes Matinho da Vila compôs, em primeira pessoa, onde o pequeno-burguês relata a realidade de sua vida, após libertar-se da alienação. Pena que o meio pequeno-burguês é um terreno rarefeito para arejar novas idéias.
A crítica pequeno-burguesa é pautada pela velha mídia com muito interesse, pois é desta classe que os conglomerados mediáticos dependem. O pequeno-burguês, na sanha de assemelhar-se com os burgueses da realidade, quer estar informado dos assuntos que circulam no meio burguês.
No realismo socialista, Górki lançou “Os pequenos Burgueses”, um texto para teatro que elucida sobre as mais diversas facetas destes, onde algumas figuras querem ser pertencentes à classe dominante, e não conseguindo, deliram na idéia de sê-lo.
O que mais irrita nos pequeno-burgueses é a falta de senso crítico, pois não entendem que o objeto de desejo que ostentam, é o mesmo que faz com que a infelicidade acabe dominando-os, deixando a realidade cada vez mais distante. É a mais pura exaltação da ignorância.