quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O porquê da inércia midiática

Como as coisas mudam em certos aspectos e em outros a inércia impera. O Brasil mudou, avançou e quebrou alguns dogmas elitistas, no entanto, as raízes de certas mazelas ainda estão puxando riquezas que o mais profundo subsolo pode oferecer. O oligopólio da mídia superou as ondas progressistas e ainda está respondendo ao espectro conjuntural que transcende mais de um século.

A Casa Grande ainda manda nos grandes jornais brasileiros, na verdade, os jornais são os instrumentos da velha elite que tenta impor seu domínio. O grande caso do momento é o livro “Privataria Tucana”, do jornalista investigativo multipremiado, Amaury Ribeiro Junior.
O livro foi lançado na última sexta-feira, 9, pela Geração Editora e, apesar de não ter sido noticiado pela grande mídia, já é um fenômeno de vendas. Foram vendidos 15 mil exemplares em pouco mais de 24hrs, fazendo com que as livrarias que haviam rejeitado a obra, tivessem de correr atrás do prejuízo.

Um novo lote de 50 mil exemplares irá chegar ainda nesta semana nas livrarias e desde a última terça-feira, 13, vários sites já colocaram o arquivo em PDF da obra disponível. Ainda não se tem uma noção da quantidade de downloads feita até o momento. Mas apesar de ser um acontecimento muito relevante, haja vista que é a maior febre da literatura jornalística dos últimos tempos, a grande imprensa fingiu não conhecer o fato.

O motivo é simples: o alvo da reportagem é o ex-governador de São Paulo, José Serra, cujo partido, o PSDB, é o grande mecenas das famílias que controlam o monopólio da informação. Na obra – que contém 120 páginas com documentos anexos à reportagem -, o jornalista mostra os desvios ocorridos durante o processo de privatizações que o Brasil sofreu durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo a reportagem, o grande orquestrador do processo é José Serra, que na época ocupava o posto de Ministro do Planejamento da administração tucana. Outro tucano, o ex-tesoureiro de Serra e FHC, Ricardo Sérgio, conhecido no tucanato como Mr. Bin, foi o operador de um processo de desvios que tirou dos cofres públicos cerca de U$ 50 bilhões.

O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) entrou com um pedido de CPI, e no mesmo em dia que iniciou o processo, coletou cerca de 100 assinaturas. O necessário para abrir o processo é 177. Deste modo, nos resta apenas aguardar com a sapiência necessária para que um importante capítulo da história brasileira seja desvendado.

A direita irá fazer o jogo dela, desqualificando a crítica, mas sem tocar em qualquer questão. Quando a CPI for iniciada, descobriremos como os entreguistas reduziram o patrimônio nacional por benefício próprio, firmando acordos envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, e abraçando o neoliberalismo na sua faceta mais nefasta.