domingo, 26 de junho de 2011

Sendo, ainda, um dos melhores filmes sobre o tema, Reds é uma aula de jornalismo e história



Escrever sobre filmes consagrados é uma tarefa ingrata, pois, provavelmente, existem diversas análises em formas de artigos, monografias e em outros modos sobre os mesmos. Sendo assim, e não obstante por isso, acredito que a solução é escrever profundamente sobre a impressão que tive da obra.
O filme analisado neste artigo é o clássico “Reds”, lançado em 1981, do diretor, ator e roteirista Warren Beatty.  O filme aborda a cobertura jornalística e participação do americano John Reed, autor da obra “Os dez dias que abalaram o mundo”, na Revolução Russa de 1917, além da forte participação da sua companheira Louise Bryant. O roteiro aborda fatos históricos temperados pelas peripécias e desencontros do casal, além de entrevistas gravadas com pessoas que conviveram, diretamente e indiretamente, com o casal Reed, gravadas desde 1970 por Beatty.
O enredo começa no início do século XX, período de atuação do protagonista, e tem como gancho: o início da Primeira Guerra Mundial. Tratava-se de um período de efervescência política na Europa e nos Estados Unidos, que teve na Revolução Russa, em 1917, o marco de divisão do mundo em dois blocos: os comunistas e os capitalistas.
Reed era ator e observador dos confrontos políticos dentro dos Estados Unidos, e, em 1917, foi convidado para cobrir a Revolução Bolchevique na Rússia. Embarcou acompanhado da esposa e de amigos, acompanhando de perto, pelos bastidores, a queda de Kerensky e os mencheviques, e a ascensão de Lênin e os bolcheviques.
Após a vitória dos bolcheviques, John e Louise voltaram para os Estados Unidos. A partir deste momento, John começou liderar uma ala do Partido Comunista Americano, comandando uma diáspora. Voltou à Rússia para pedir aprovação para formação de um novo partido, recebeu resposta negativa e teve de ficar, pois assumiu uma função no Partido Bolchevique.
O jornalista revolucionário começou enfrentar as contradições da revolução, enfrentando discussões com sua amiga e anarquista, Emma Goldman, começou sofrer pela ausência de sua amada, que ficara nos Estados Unidos. Os conflitos psicológicos abordados  no roteiro são aqueles enfrentados pelos militantes de causas complexas, que têm que renunciar a própria vida pela revolução, e acabam sofrendo pela falta de suas vidas passadas. No caso de John Reed, a distante Rússia foi ficando cada vez mais fria.
Trata-se de um grande recorte da visão de alguém que não só foi observador da revolução, como também foi um grande ator, sendo muito elogiado pelo líder  revolucionário Vladimir Lenine.        

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O passado de Gleisi nos anima para o futuro do Brasil

                  O que Palocci é para esquerda


Não é que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) nos ajudou? Não por generosidade, pois sabemos que o time do Tio Rei não é provido de tal benesse da espécie humana, mas por sua guinada golpista. Refiro-me à queda do ex-ministro Antonio Palocci da Casa Civil, e a ascensão da senadora Gleisi Hoffman ao cargo.
Lógico que devemos entender a real intenção da velha mídia no caso Palocci (versão 2011), que nada mais era que “desestabilizar o governo da Presidenta Dilma”, porém, acredito que no campo progressista a grande maioria entende que Palocci é um dos piores quadros do PT.
Não falo de sua habilidade política, pois esta é inegável, haja vista que após o caso Francenildo, o “Tony” - como diz PHA -, conseguiu voltar ao poder, em um posto muito cobiçado, que no modo PT de governar ganhou status de segunda força, perdendo apenas para o presidente. O que incomoda em Palocci é sua ortodoxia macroeconômica e afinidade com o campo conservador de nosso país, o perfil do ex-ministro o rotulou de “direitista vestido de esquerdista”.
Perder Palocci e ganhar Gleisi é uma benesse – pelo menos na teoria -, pois a paranaense mostrou seu modo de atuar na gestão do ex-governador do Mato Grosso do Sul, o ex-bancário José Orcírio Miranda, o Zeca do PT, sendo responsável por re-organizar a máquina pública e fazendo isto muito bem
Na matéria de ontem no Valor Econômico, o jornalista Cristian Klein contou um pouco da história da nova ministra, principalmente quando assumiu a função de Secretária Extraordinária de Reestruturação Administrativa, onde demitiu 1,5 mil funcionários em cargos de comissão e reduziu o número de secretarias, contribuindo também para a otimização da arrecadação do estado, que quando Gleisi esteve no governo dobrou.
Isto mostra um pouco de sua competência, já que assume a função buscando o mesmo perfil da Presidenta enquanto esteve na pasta, ambas são reconhecidas como boas administradoras. Mas não podemos nos encantar com a tecnocracia, o que mais me chama atenção na ministra é o seu passado, pois a mesma foi tesoureira da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), e para todos aqueles que militam ou militaram no movimento estudantil, é de notório saber a generosidade que habita em todos secundaristas engajados.
Seu passado fez com que Gleisi tivesse uma grande sensibilidade social, fato este que indica uma gestão pragmática e de sensibilidade social, principais méritos de Dilma Vana Roussef enquanto ministra. Somente o tempo mostrará sua competência, mas seu passado é mais animador para o futuro do nosso país em detrimento ao passado, presente e futuro de Antonio Palocci.