sexta-feira, 17 de abril de 2015

SESC Jundiaí será inaugurado amanhã, mas a expectativa já vem de algumas décadas

A terra da coxinha de queijo ganhará novas iguarias a partir deste final de semana, pode-se dizer que temos orgulho e todos nós já fomos zombados por sermos a única cidade onde coxinha não é necessariamente de frango. Qual jundiaiense nunca comeu uma coxinha de queijo? Em qual bar daqui não se encontra esse salgado cuja identidade é tão jundiaiense?




Talvez a analogia seja descabida, mas procurei algo nosso para demonstrar a importância da instalação do Serviço Social do Comércio (SESC) na cidade em um período onde diversos coletivos - cujo mote é desempoderar do mainstream a capacidade singular de produzir cultura.

Na verdade, a Escola de Frankfurt fez nas primeiras décadas do século passado a crítica direcionada à indústria cultural, onde o filósofo Theodor de Adorno afirma que a autonomia e poder crítico das obras artísticas derivariam de sua oposição à sociedade.

Ou seja, já era visto que a máquina capitalista de reprodução e distribuição da cultura estaria apagando aos poucos tanto a arte erudita quanto a arte popular. Isso estaria acontecendo porque o valor crítico dessas duas formas artísticas é neutralizado por não permitir a participação intelectual dos seus espectadores e para o capitalismo, a cultura, como tudo, é mercadoria.

Foi na primeira década do século XXI que o Brasil passou a viver a chamada cultura antropológica e o estado passou a formular políticas públicas através do programa Cultura Viva nesse sentido. O conceito é simples: todos são formuladores de cultura e todos devem ter espaço para poder produzir cultura. Após pouco mais de dez anos dessa visão, pode-se dizer que ainda falta muito para superamos a dependência das grandes gravadoras, estúdios e conglomerados midiáticos.

Ora, como o estado tem suas limitações de abrangência, surge daquilo que chamo de base – sociedade civil organizada – tais coletivos, que além de produzir de forma independente, também disputam os editais dos órgãos estatais em sua maioria focando no reconhecimento e exaltação da cultura popular.

Sei que o SESC não tem essa visão tão avançada, mas ao menos consegue dar dinamismo a agenda cultural e a produção independente da cidade e da região e isto fazia muita falta em Jundiaí. O atual formato de atuação da Secretaria de Cultura visa atender tais anseios e a nova unidade do SESC poderá agilizar o processo.


Mas onde está a analogia da coxinha? Simples: agora nordestinos, goianos, mineiros, gaúchos, etc., poderão conhecer a nossa iguaria numa temática cultural e dizer que conhecem a querida e, às vezes, ingrata terra da coxinha de queijo. 

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