Os ensinamentos de Cícero acerca da retórica foram feitos para que grandes líderes pudessem utilizar de sua persuasão perante o povo e defender a república, para que o filósofo pudesse expor seus argumentos com coerência e para que as discussões no senado romano fossem do mais alto grau de qualidade no que se refere à busca pela justiça e melhor solução, mas seu consulado e sua oposição a Julio Cesar e Marco Antonio não tiveram a propaganda como motor da oratória pensada por Joseph Goebbels que o nazismo alemão teve. No recém formado III Reich (1933-1945), o líder do país, Adolf Hitler, mais precisamente em 1934, na cidade de Hamburgo, discursou à juventude alemã sob aplausos que davam a imponência necessária para um líder, possuidor também de uma grande oratória. “Vocês são algo que cerca a Alemanha inteira”, foram umas das primeiras palavras de um discurso que mostrava aos jovens que eles eram o futuro desse novo momento que a Alemanha vivia. O nazismo tinha como grande ...
1. Introdução Theodor W. Adorno acreditava que quem defende uma cultura culpada e medíocre acaba se tornando cúmplice, tal qual aquele que rejeita por completo a cultura com sua indiferença, favorece a barbárie que ela poderá causar, desconstruindo, assim, a figura de crítico negativo ao propor um modelo de educação para uma Alemanha deprimida por intermédio de uma reivindicação do esclarecimento que visa uma autonomia, da mesma forma que Kant [1] formulou. No capítulo “Educação após Auschwitz”, de sua obra intitulada Educação e Emancipação, esclarece que a base na qual a civilização alemã projetou seu ideal de educação seria uma das causas que originaram o nazismo. Por este motivo, logo de início, afirma que a meta, de qualquer que seja a proposta educacional, a premissa que deve ser tomada é que a barbárie de Auschwitz [2] jamais deva ocorrer novamente. E Auschwitz, local de uma barbárie que deve ser evitada a todo custo, segundo o autor, deve ser sim d...
Colocar-se a descobrir, ou melhor, a revelar aquilo que há muito tempo se tentava, mas por mero costume caia sempre em uma trivial historiográfica acerca do pensamento filosófico no Brasil, assim que o jornalista e escritor Roberto Gomes procurou em Crítica da Razão Tupiniquim (1977) abordar aquilo que deveria ser o genuíno pensamento filosófico brasileiro, aquilo que dentre tantas influências havia sobrado como criação, porém sem exigência de pureza, desta nação, mas não seria tão simples encontrar, pois caberia para o Brasil também uma definição enquanto escola filosófica? Faz parte do pensamento brasileiro o vício inquietante do pensamento europeu em definir as coisas postas no mundo, assim como definir o pensamento que define as coisas? Tudo isso foi tratado de uma forma brasileira, algo que buscou fora da filosofia formal, àquela que estamos habituamos encontrar na academia, algumas inquietações que pudessem ajudar a responder a pergunta inaugural: o que seria uma razã...
Comentários
Postar um comentário