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Pensamento pequeno-burguês: o mais irritante

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O pensamento pequeno-burguês com certeza é o mais irritante, ganha com larga vantagem de qualquer outra tendência classista, onde o maior mal deste pensamento é a sua megalomania, fato que torna a presença de qualquer portador de tal adereço altamente indesejável, para o mais tolerante social democrata ao mais ortodoxo marxista-leninista de carteirinha. Sua ideologia vã provoca no máximo a degustação satírica, aquela de Petrônio, porém, suas intervenções em embates ideológicos irritam, pois para os elementos desta classe, não existe nada mais prazeroso do que o sucesso obtido e agrado ao seu fetichismo – por mais irrisório que seja – torna-se uma verdadeira ode ao espírito. O adereço mais irritante desta classe é a sua alienação, fato que incomoda, pois os pequeno-burgueses ostentam com devoção e consideram-se superiores em seu universo paralelo. Samba para estes Matinho da Vila compôs, em primeira pessoa, onde o pequeno-burguês relata a realidade de sua vida, após libertar-se da alien...

Ceticismo moderno

Richard Popkin Tradução de Jaimir Conte O ceticismo moderno surgiu no séc. XVI com o renascimento do conhecimento e do interesse pelo antigo ceticismo pirrônico grego, que surge nos escritos de Sexto Empírico, e do ceticismo Acadêmico, apresentado em De Academica , de Cícero. O termo “cético” não foi usado na Idade Média e foi inicialmente apenas transliterado do grego. As obras de Sexto Empírico foram publicadas em latim em 1562 e 1569, e em grego em 1621. As edições do texto de Cícero apareceram no séc. XVI. A nova publicação destas obras aconteceu numa época em que uma questão fundamental a respeito do conhecimento religioso fora levantada pela Reforma e Contra-Reforma — como distinguir o verdadeiro conhecimento religioso de perspectivas falsas ou duvidosas? Erasmo negou que isto se poderia fazer, e aconselhou seguir os céticos, suspendendo o juízo e aceitando as opiniões da Igreja Católica sobre as questões em disputa. O tradutor de Sexto, Gentian Hervet, um padre católico, disse...

Paradoxos

Texto de R. M. Sainsbury, com tradução de Aluizio Couto, retirado do sítio www.criticanarede.com  ; R. M. Sainsbury Tradução de Aluízio Couto Os paradoxos são divertidos. Na maior parte dos casos, são fáceis de enunciar e imediatamente nos instam a tentar “resolvê-los.” Um dos paradoxos mais difíceis de tratar é também um dos mais fáceis de enunciar: o paradoxo do mentiroso. Uma de suas versões pede-nos que consideremos o homem que diz “o que estou dizendo agora é falso.” É o que ele diz verdadeiro ou falso? O problema é que se ele diz a verdade, está verdadeiramente dizendo que o que diz é falso, dessa forma dizendo uma falsidade. Mas se o que está dizendo é falso, uma vez que isso é apenas o que diz estar fazendo, tem de estar falando a verdade. Assim, se o que diz é falso, é verdadeiro; e se é verdadeiro, é falso. Diz-se que esse paradoxo “atormentou muitos lógicos da antiguidade e causou a morte prematura de pelo menos um deles, Filetas de Cos.” A diversão pode ir longe demai...