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O porquê da inércia midiática

Como as coisas mudam em certos aspectos e em outros a inércia impera. O Brasil mudou, avançou e quebrou alguns dogmas elitistas, no entanto, as raízes de certas mazelas ainda estão puxando riquezas que o mais profundo subsolo pode oferecer. O oligopólio da mídia superou as ondas progressistas e ainda está respondendo ao espectro conjuntural que transcende mais de um século. A Casa Grande ainda manda nos grandes jornais brasileiros, na verdade, os jornais são os instrumentos da velha elite que tenta impor seu domínio. O grande caso do momento é o livro “Privataria Tucana”, do jornalista investigativo multipremiado, Amaury Ribeiro Junior. O livro foi lançado na última sexta-feira, 9, pela Geração Editora e, apesar de não ter sido noticiado pela grande mídia, já é um fenômeno de vendas. Foram vendidos 15 mil exemplares em pouco mais de 24hrs, fazendo com que as livrarias que haviam rejeitado a obra, tivessem de correr atrás do prejuízo. Um novo lote de 50 mil exemplares irá chegar ainda...

Capitães da Areia: O nosso ‘O Germinal’

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Uma obra para se ter, para sempre ler e reler e nunca [nunca] esquecer. Nosso ‘O Germinal’ é Capitães da Areia de Jorge Amado. Uma obra que prende o mais longínquo traço do plasma que cada ser humano carrega consigo. Um romance escrito com a mais qualificada pena marxista da Bahia, que contribuiu ao nosso país de maneira inegável. Abriu os olhos de uma sociedade baiana pré-Carlista e muito excludente. Um retrato verossímil da vida cruel de crianças que nasceram excluídas e viveram soltas, jogadas à sorte na realidade sádica de uma sociedade hipócrita e desigual, cuja única defesa e chance de vingança era roubar, e por isso, foram demonizadas pelos bons costumes. Cada menino mantinha um senso heróico macunaímico dentro de si, pois cumpria a missão de sobreviver e se proteger tendo a malandragem como única ferramenta.  A turma que vivia em um Trapiche abandonado era chefiada por Pedro Bala, um galego no meio de garotos negros e pardos que tinha uma perspicácia que o fazia parec...

Os tijolos que o Brasil precisa colocar na sua reforma

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* Baseado na série Reformas Democráticas do Portal Vermelho O Brasil está construindo uma democracia pujante e vibrante, que com certeza é a mais promissora entre os emergentes.  A sociedade tem aumentado a sua consciência política, mas ainda é pouco. O nível de abrangência ainda é longe do ideal, por isso, o país precisa de reformas estruturais e essenciais ao nosso contexto. São assuntos discutidos desde a re-democratização do país, que ganharam musculatura com a guinada progressista que nos norteia desde 2003. Outrossim, é sabido que nada neste país se deu senão por uma forma heterogênea e complexa, de um modo que nada fluiu sem forçar. Foi muito tempo de escuridão, a luz ainda luta por hegemonia. Desta forma, tais avanços serão obtidos, exclusivamente, com participação popular, com o terceiro setor fomentando esta participação. As ruas deverão ser o norte e isso nunca pode fugir da pauta. Alguns projetos propondo algumas dessas causas já foram derrotados, mas a base gove...

Uma reportagem maldita: mais um corte causado pela lamina de Plínio Marcos

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Plínio Marcos abusa da lamina afiada de sua navalha ao escrever, deixa a moral da velha sociedade totalmente estripada e consegue fazer com que o sangue da mesma se finde morosamente, gotejando, tornando os calafrios suscetíveis a todos. A hemorragia é a sentença impiedosa, não há sobreviventes. Se a justiça é cega ou vendada, Plínio Marcos é a lamina que corta a venda e a faz enxergar que não se pode julgar sem ver o que está julgando, não se pode entender sem olhar nos olhos do verdugo. Uma reportagem maldita, a história do menino Querô, é um retrato verossímil de tantas vítimas que a miséria já fez em nosso país. Do dia em que nasceu, o menino escolhido por Plínio Marcos para ser seu personagem principal estava “fudido”, como muitas vezes o autor descreveu. Trata-se de um romance, cujo foco narrativo está em primeira pessoa, sendo uma narração meticulosa de alguns eventos substanciais da vida de Jerônimo da Piedade – vulgo Querô. O enredo aborda sua infância até sua juventude, ch...

Mais um tiro na pouca “moral” que ainda existe

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Para aprofundar a decadência da ética e fomentar de forma acachapante o descrédito à nossa (ainda) pequena crença na suposta ética da velha mídia, veio-nos como um chute no traseiro em mais um dia do imenso porre de melancolia que o segmento (imprensa) sofre - a tentativa de invasão ao apartamento do ex-ministro e atual membro da direção do PT, José Dirceu, quebrou a fina vidraça que segurava os principais “calunistas” da tropa de choque das oito famílias que se intitulam donas da informação nacional. Agora quebrou o teto de vidro, e eles estão machucados, caídos no chão. Em um momento cujo grandes conglomerados midiáticos tentam criminalizar aquilo que é tido como avanço básico nos países desenvolvidos, que é o projeto do marco regulatório da mídia – projeto escrito pelo ex-ministro da comunicação social Franklin Martins no Brasil -, em um momento no qual Rupert Murdoch – barão da comunicação mundial -, é desmascarado na Inglaterra por práticas ilícitas na apuração das reportagens ...

As bandeiras da humanidade e suas convergências para conquistar para todos

As hastes da humanidade seguram muitas bandeiras, bandeiras dignas e essenciais para que possa alcançar o sentido mais pleno de sua existência: viver em harmonia com o planeta terra, com todos os homens e mulheres tendo os direitos da respeitosa estadia. Dos homens comuns aos responsáveis em tomar decisões determinantes para o destino da humanidade, o sentimento deve ser o mesmo: fazer pelo todo. Certa vez, o mexicano César Chávez disse: " Não podemos buscar realização para nós mesmos e esquecer-se do progresso e prosperidade para nossa comunidade. Nossas ambições precisam ser amplas o suficiente para incluir as aspirações e necessidades dos outros, pelo bem deles e pelo nosso próprio. " Os seres humanos que mais contribuem para o todo são aqueles que possuem o adereço amplitude, que faz o espírito se tornar largo, que abrange sentimentos fraternais aos seus iguais na mesma proporção daqueles que têm por si. Em sua Autopsicografia, o poeta português Fernando Pessoa disse que...

Grande Sertão Veredas: uma obra imperdível

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Somos antropófagos por natureza, como disse Oswald de Andrade, e podemos, com este atributo, produzir obras ímpares que ostentam peculiaridades de todos e ao mesmo tempo somente nossas. Uma loucura só entendida em nosso continente, pois nem todos têm o “swing” que temos. A literatura é o terreno mais fértil para que idéias cozinhadas em culturas diversas aflorem para uma cultura específica, incorporando todos os adereços temáticos a esta, parecendo que sempre pertenceram àquele determinado contexto. Neste sentido, muitos elegeram a celebre obra “Grande Sertão Veredas’ do escritor mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) como a mais completa da literatura brasileira, tal afirmação goza da minha concordância, pois é a obra que usa das principais ferramentas literárias para descrever o cotidiano da “jagunçagem” da zona da mata, ou Vale do Jequitinhonha e suas veredas das Gerais, como muitas vezes é citado na obra. João Guimarães Rosa era um poliglota fantástico, e um exímio conhecedor da...